A Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, voltou a parar o Brasil. Entre os dias 4 e 13 de setembro de 2026, a maior edição do Rock in Rio já realizada reúne um dos line-ups mais ecléticos da história do festival, misturando lendas do rock, pop internacional, eletrônica e grandes nomes da música brasileira em seis palcos simultâneos. Para quem acompanha de casa, a Multishow transmite ao vivo os shows dos palcos Mundo e Sunset, enquanto as redes sociais já vivem uma enxurrada de fotos, vídeos e memes desde a abertura.
Criado em 1985 por Roberto Medina, o Rock in Rio nasceu como um evento único, quase uma aposta ousada num momento em que o Brasil ainda respirava os ares da redemocratização. Mais de quatro décadas depois, o festival se tornou uma marca global, com edições realizadas em cidades como Lisboa e Madri, e o “capítulo brasileiro” segue sendo o mais aguardado, tanto pelo público quanto pelos próprios artistas, que frequentemente descrevem o público carioca como um dos mais efusivos do circuito internacional de festivais.
Nesta edição de 2026, a organização apostou em um equilíbrio entre nostalgia e novidade: de um lado, veteranos indiscutíveis do rock mundial; de outro, fenômenos pop que dominam as paradas e o streaming. O resultado é uma programação que tenta agradar públicos de gerações bem diferentes — dos que cresceram ouvindo vinil aos que descobriram música pelo TikTok.

Show ao vivo em edição anterior do Rock in Rio. Foto: Wikimedia Commons
Uma abertura de peso: Foo Fighters comanda a primeira noite
O festival abriu no dia 4 de setembro com uma noite dedicada ao rock mais robusto. No Palco Mundo, o principal do evento, quem fechou a programação foi o Foo Fighters, banda liderada por Dave Grohl que carrega um histórico de apresentações intensas e já havia passado pelo festival em edições anteriores. Antes deles, subiram ao palco Rise Against, The Hives e Nova Twins, formando um bloco de rock e punk que aqueceu o público horas antes do horário nobre.
No Palco Sunset, o segundo maior espaço do festival, a atração da abertura foi o Capital Inicial, que contou com a participação especial do guitarrista Dado Villa-Lobos, ex-integrante da banda e uma das figuras mais queridas do rock nacional das décadas de 1980 e 1990. O reencontro, mesmo que pontual, gerou um dos momentos mais comentados da primeira noite nas redes sociais.
Line-up completo: de Elton John a Twenty One Pilots
A programação dos dez dias de evento reúne nomes de peso espalhados por gêneros bem diferentes. Entre as atrações confirmadas para os diferentes dias e palcos estão Elton John, um dos artistas mais premiados da história da música pop e do rock britânico; Demi Lovato, que retoma a carreira musical após anos também dedicados à atuação; Calvin Harris, um dos DJs e produtores mais influentes da cena eletrônica global; e os grupos Stray Kids e Twenty One Pilots, que reúnem legiões de fãs jovens tanto no Brasil quanto no exterior.
Completam o cartaz nomes como Halsey, Zara Larsson e Jamiroquai — este último uma raridade em turnê, já que a banda britânica de acid jazz e funk raramente se apresenta na América do Sul. A diversidade do line-up reflete uma tendência que o Rock in Rio vem consolidando nas últimas edições: deixar de ser um festival “só de rock” no sentido literal para se tornar um grande festival de música popular, com o rock como espinha dorsal histórica, mas não mais como limite de programação.

Público lotando a Cidade do Rock em edição anterior do festival. Foto: Wikimedia Commons
Seis palcos, seis experiências diferentes
Parte do que torna o Rock in Rio um evento tão particular é a estrutura montada na Cidade do Rock, dividida em espaços com propostas distintas. O Palco Mundo é o coração do festival, reservado para os grandes headliners e com capacidade para dezenas de milhares de pessoas. O Palco Sunset, posicionado de forma a valorizar o pôr do sol carioca, costuma abrigar shows mais intimistas ou nomes de rock alternativo e brasileiro.
Já o New Dance Order é dedicado à música eletrônica, com line-up voltado a DJs e produtores que fazem a plateia dançar até de madrugada. O Espaço Favela celebra a cultura da periferia carioca, com atrações que vão do funk ao rap. O Supernova, por sua vez, funciona como uma espécie de “laboratório” de novos formatos e artistas emergentes, enquanto o Global Village reúne atrações gastronômicas, culturais e de entretenimento para quem quer viver o festival além dos shows.
Essa multiplicidade de espaços é também uma resposta a um público cada vez mais heterogêneo: famílias que levam os filhos durante o dia, jovens que passam a noite em pé em frente ao Palco Mundo e turistas que viajam de outros estados e países só para viver a experiência completa da Cidade do Rock.
O impacto econômico e turístico para o Rio de Janeiro
Historicamente, o Rock in Rio funciona como um motor de curto prazo para a economia da cidade. Hotéis, pousadas, aplicativos de transporte, restaurantes e o comércio ambulante do entorno da Cidade do Rock sentem o efeito direto do público que se desloca para acompanhar o festival, boa parte vindo de outros estados brasileiros e também do exterior. A cada edição, a prefeitura e o setor de turismo costumam destacar a ocupação hoteleira elevada durante os dias de evento.
Além do impacto direto, existe também o efeito de vitrine: transmissões internacionais, cobertura de veículos estrangeiros e a presença de artistas globais reforçam a imagem do Rio de Janeiro como destino de entretenimento de grande porte, algo que a cidade explora estrategicamente há décadas para atrair investimento e visibilidade internacional.

Estrutura de palco em edição internacional do Rock in Rio. Foto: Wikimedia Commons
Como acompanhar de casa: transmissão e redes sociais
Para quem não conseguiu ingresso ou não pôde viajar até o Rio, a Multishow segue como a emissora responsável pela cobertura ao vivo dos shows dos palcos Mundo e Sunset, com transmissão diária a partir das 15h15. A cobertura costuma incluir também conteúdo nos bastidores, entrevistas com artistas e reações do público, ampliando a experiência para quem assiste pela televisão ou por streaming.
Nas redes sociais, a hashtag do festival costuma figurar entre os assuntos mais comentados do país durante os dias de shows, com fãs compartilhando registros dos momentos mais marcantes de cada apresentação, looks do público e reações em tempo real às surpresas do line-up — participações especiais, covers inesperados e mensagens dos artistas ao público brasileiro, historicamente reconhecido pelos próprios músicos como um dos mais calorosos do mundo.
Um festival que também é história da música brasileira
Vale lembrar que o Rock in Rio não é apenas uma vitrine para artistas internacionais. Ao longo de suas edições, o festival também documentou momentos importantes da música brasileira, com apresentações que entraram para o imaginário coletivo do público nacional. A presença de Dado Villa-Lobos ao lado do Capital Inicial nesta edição de 2026 é um exemplo de como o evento também cultiva sua própria memória afetiva, reunindo gerações de fãs em torno de bandas que marcaram época.
Esse equilíbrio entre grandeza internacional e identidade brasileira é, talvez, o que explica a longevidade do festival: mesmo competindo com dezenas de outros grandes eventos de música pelo mundo, o Rock in Rio segue conseguindo se reinventar a cada edição sem perder a essência que o tornou, desde 1985, um símbolo cultural do país.

Área de convivência e comércio da Cidade do Rock em edição anterior do festival. Foto: Wikimedia Commons
O que esperar da segunda etapa do festival
Com a primeira etapa concluída, a expectativa agora se volta para os próximos dias de shows, quando o público poderá conferir as apresentações de nomes como Elton John, Twenty One Pilots e Calvin Harris, além das atrações que ainda vão passar pelos palcos menores. A tendência é que cada nova noite traga seu próprio conjunto de momentos virais, já que o formato do festival — com múltiplos palcos e uma programação recheada — costuma gerar surpresas a cada edição, seja por participações especiais, seja por declarações dos artistas sobre o Brasil e o público brasileiro.
Para quem pretende ir aos próximos dias de evento, vale reforçar as recomendações básicas de sempre: chegar com antecedência para evitar filas, se hidratar bem ao longo do dia — já que setembro no Rio costuma trazer calor intenso mesmo à noite — e planejar com cuidado a logística de transporte, dado o grande volume de pessoas se deslocando para a Cidade do Rock nos mesmos horários.
Conclusão
O Rock in Rio 2026 reafirma, mais uma vez, por que o festival é considerado um dos maiores eventos de música do mundo. Entre a nostalgia de bandas consagradas, a força de fenômenos pop atuais e a valorização da cultura brasileira em espaços como o Espaço Favela, a edição deste ano consegue equilibrar tradição e renovação. Com a segunda etapa ainda por vir, o público brasileiro — dentro e fora da Cidade do Rock — segue de olho no que promete ser mais um capítulo memorável na história de um festival que, há mais de quatro décadas, ajuda a definir o calendário cultural do país.
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