A Cidade do Rock está de luzes apagadas, mas só até a próxima quinta-feira. O Rock in Rio 2026 encerrou seu primeiro fim de semana no último domingo, dia 7 de setembro, e agora vive um intervalo estratégico de três dias antes de reabrir os portões, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, para a segunda leva de shows, entre os dias 11 e 13 de setembro. O formato inédito — sete dias de festival divididos em dois blocos, com uma pausa no meio — já é um dos assuntos mais comentados da edição.
Criado em 1985 pelo empresário carioca Roberto Medina, o Rock in Rio se consolidou ao longo das décadas como um dos maiores festivais de música do planeta, exportando o modelo para cidades como Lisboa e Las Vegas. Em 2026, o festival chega à sua edição mais ambiciosa em termos de line-up, misturando lendas do rock, pop mundial e, pela primeira vez na história do evento, um dia inteiro dedicado ao K-pop.
Com ingressos que se esgotaram em tempo recorde e um calendário recheado de nomes de peso, a expectativa agora é para o que vem pela frente: os últimos três dias de festival, que prometem fechar 2026 com chave de ouro para o público brasileiro.

A entrada da Cidade do Rock, palco de uma das maiores estruturas de festival de música do mundo. Foto: Wikimedia Commons
O que já aconteceu no primeiro fim de semana
Entre os dias 4 e 7 de setembro, a Cidade do Rock recebeu quatro noites de shows com atrações que atravessam gerações e gêneros musicais. O Foo Fighters abriu o festival na quinta-feira, seguido pelo Avenged Sevenfold na sexta. O sábado trouxe uma combinação e tanto para os fãs de música eletrônica e pop: Calvin Harris e Black Eyed Peas dividiram o mesmo dia de programação. Já o domingo, dia de encerramento do primeiro bloco, foi marcado por dois nomes de gerações bem diferentes: Elton John, em uma de suas passagens mais aguardadas pelo Brasil, e Gilberto Gil, reforçando a presença da música brasileira em meio ao line-up internacional.
Essa combinação de gêneros é uma marca registrada do festival desde sua criação: unir públicos que normalmente não dividiriam o mesmo evento, do rock pesado ao pop mais dançante, sempre com espaço reservado para artistas brasileiros.
A pausa de três dias e o motivo por trás do formato
Diferentemente de edições anteriores, que costumavam concentrar os shows em dias consecutivos, o Rock in Rio 2026 optou por dividir o festival em dois blocos separados por um intervalo. Esse formato permite à organização reorganizar a estrutura da Cidade do Rock, adaptar palcos para atrações com necessidades técnicas distintas — caso do dia dedicado ao K-pop — e também dar um respiro à operação logística de uma cidade temporária que recebe dezenas de milhares de pessoas por noite.
Para o público, a pausa também funciona como um intervalo natural para “recarregar as energias” entre dois fins de semana igualmente intensos, já que a segunda etapa do festival, entre os dias 11 e 13 de setembro, promete não ficar atrás da primeira em repercussão.
O segundo fim de semana: estreia do K-pop e headliners globais
A retomada do festival, na quinta-feira, dia 11 de setembro, marca um momento histórico: pela primeira vez, o Rock in Rio dedica uma noite inteira a atrações de K-pop, com as apresentações de Stray Kids, HWASA e NEXZ. A escolha reflete o crescimento do gênero coreano no Brasil nos últimos anos e a força do público brasileiro entre os fãs de K-pop ao redor do mundo — um dos maiores contingentes fora da Ásia, segundo dados historicamente divulgados por plataformas de streaming e redes sociais.
Na sexta-feira, dia 12, o festival recebe Maroon 5, Demi Lovato e J Balvin em uma noite voltada ao pop latino e norte-americano. Por fim, o sábado, dia 13, fecha a edição com Twenty One Pilots e Halsey, consolidando um encerramento voltado ao público mais jovem e conectado com o pop-rock alternativo.
Por que esse line-up importa
A curadoria de 2026 reforça uma tendência que o Rock in Rio vem consolidando desde os anos 2010: deixar de ser apenas um festival de rock, no sentido estrito da palavra, para se tornar um grande painel da música popular global. Isso amplia o público-alvo do evento, mas também gera debates recorrentes entre fãs mais tradicionais sobre o quanto o nome “Rock in Rio” ainda reflete a essência da programação — uma discussão que acompanha o festival há praticamente duas décadas.

A Rock Street, espaço de convivência entre um show e outro, com bares, lojas e áreas de descanso. Foto: Wikimedia Commons
Recorde de vendas: a pré-venda mais rápida da história do festival
Antes mesmo do primeiro show acontecer, o Rock in Rio 2026 já havia entrado para os recordes do evento. Segundo a organização, a etapa antecipada de vendas esgotou todos os ingressos disponibilizados em apenas duas horas — a venda mais rápida da história do festival. Os dias com Calvin Harris e Maroon 5 foram os primeiros a esgotar, em pouco mais de uma hora, seguidos de perto pelas datas com Avenged Sevenfold, Elton John, Stray Kids, Twenty One Pilots e Foo Fighters.
A alta demanda levou a organização a reabrir novas vendas de ingressos para todos os sete dias de festival no fim de julho, através da Ticketmaster Brasil, plataforma oficial de venda para esta edição. O fenômeno ilustra como o Rock in Rio segue sendo um dos eventos de maior apelo popular do país, décadas após sua criação.
Um pouco de história: de 1985 até a Cidade do Rock de hoje
O Rock in Rio nasceu em 1985, idealizado pelo publicitário carioca Roberto Medina, em um momento de redemocratização do Brasil e de forte efervescência cultural. A primeira edição, realizada no bairro do Jacarepaguá, reuniu nomes internacionais e nacionais em um formato até então inédito no país: um megafestival de vários dias, com estrutura comparável à de grandes eventos internacionais da época.
Desde então, o festival passou por diferentes localizações no Rio de Janeiro até se estabelecer, nas edições mais recentes, na Cidade do Rock montada no Parque Olímpico da Barra da Tijuca — mesmo complexo que sediou boa parte das competições dos Jogos Olímpicos Rio 2016. A marca também se internacionalizou, ganhando edições em Lisboa, Madri e Las Vegas ao longo dos anos, o que consolidou o Rock in Rio como uma das poucas marcas de festival verdadeiramente globais nascidas na América Latina.

A roda-gigante é um dos símbolos visuais mais conhecidos da Cidade do Rock. Foto: Wikimedia Commons
O que esperar para quem ainda vai à Cidade do Rock
Para quem tem ingresso para os últimos três dias, alguns pontos práticos costumam fazer diferença na experiência dentro da Cidade do Rock. Chegar com antecedência ajuda a evitar as maiores filas nos portões de entrada, especialmente em dias com atrações mais concorridas, como o de Maroon 5. A estrutura do festival costuma contar com diversas áreas de alimentação, pontos de hidratação e espaços de descanso ao longo da Rock Street, além de opções de transporte especial organizadas pela prefeitura e por operadoras privadas nos dias de evento.
Vale lembrar também que, por se tratar de um evento ao ar livre e de longa duração, é recomendável verificar a previsão do tempo para os dias de show e se planejar com roupas e calçados adequados, já que o público costuma passar várias horas em pé, circulando entre os diferentes palcos da Cidade do Rock.
Conclusão
O Rock in Rio 2026 já garantiu seu lugar como uma das edições mais comentadas da história do festival, seja pelos recordes de venda de ingressos, pelo line-up que mistura gerações e gêneros musicais, ou pela histórica estreia do K-pop em um dos maiores palcos de música do Brasil. Com o primeiro fim de semana encerrado e a expectativa crescendo para os últimos três dias, entre 11 e 13 de setembro, o festival segue reafirmando por que, mais de quatro décadas depois de sua criação, continua sendo um dos eventos mais aguardados do calendário cultural brasileiro.
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