Autor: junior.ramalho2023@gmail.com

  • Rock in Rio 2026: como foi a maior edição do festival, com 700 mil pessoas e estreia do K-pop

    Rock in Rio 2026: como foi a maior edição do festival, com 700 mil pessoas e estreia do K-pop

    O pó vermelho da Cidade do Rock ainda não assentou direito e o Rock in Rio 2026 já entrou para a história como uma das edições mais ambiciosas do festival desde sua criação, em 1985. Ao longo de sete dias distribuídos em dois fins de semana — de 4 a 7 e de 11 a 13 de setembro —, o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, recebeu cerca de 700 mil pessoas vindas de 89 países diferentes, segundo dados divulgados pela organização do evento. O número reforça o que o festival deixou claro desde a primeira edição: ele não é apenas um evento de música, é um fenômeno de proporções industriais que movimenta hotelaria, transporte, comércio e a autoestima cultural do Rio de Janeiro.

    Criado pelo empresário Roberto Medina e batizado com o nome que se tornaria uma marca global, o Rock in Rio nasceu reunindo nomes como Queen, AC/DC e Rita Lee em uma Cidade do Rock erguida do zero. Mais de quatro décadas depois, a 11ª edição brasileira trouxe de Foo Fighters a Twenty One Pilots, de Elton John a Maroon 5, além da estreia inédita do K-pop no line-up principal do festival, com a apresentação do grupo sul-coreano Stray Kids. O resultado foi uma maratona de shows que confirmou o Rock in Rio como um dos maiores — e mais lucrativos — festivais de música do planeta.

    Neste artigo, reunimos os principais números, atrações e novidades desta edição, além de um pouco do histórico que transformou um festival carioca em uma marca presente também em Portugal, Espanha e Estados Unidos.

    Entrada do público na Cidade do Rock durante o Rock in Rio

    Foto: Wikimedia Commons

    Sete dias, seis palcos: como funcionou a estrutura do festival

    A edição de 2026 manteve a fórmula que consagrou o Rock in Rio nos últimos anos: seis palcos simultâneos espalhados pela Cidade do Rock, cada um com uma proposta musical distinta. O Palco Mundo, principal atração, concentrou os grandes headliners internacionais e recebeu um upgrade técnico significativo — um telão de LED de cerca de 2.400 m², descrito pela organização como o maior já montado no festival, permitindo cenografias digitais personalizadas para cada artista.

    Ao lado do Mundo, o Palco Sunset trouxe apresentações voltadas a um público que busca experiências musicais mais intimistas ao entardecer, enquanto o New Dance Order (NDO) manteve a tradição de reunir DJs e produtores eletrônicos para madrugadas de pista. Espaço Favela, Global Village e Supernova completaram a estrutura, cada um com curadoria própria, misturando artistas emergentes, gastronomia e experiências sensoriais.

    Os portões abriram diariamente às 14h, com encerramento das atividades por volta das 3h da manhã — uma rotina de mais de doze horas de programação ininterrupta que exigiu um esquema logístico e de segurança comparável ao de uma pequena cidade temporária.

    O line-up: de Foo Fighters a Twenty One Pilots

    Cada uma das sete noites teve sua própria identidade musical. O festival abriu no dia 4 de setembro com o Foo Fighters comandando o Palco Mundo, seguido por atrações como Rise Against e The Hives. No dia seguinte, o peso ficou por conta do rock mais pesado, com Avenged Sevenfold, Bring Me the Horizon e a banda brasileira Sepultura representando o metal nacional para o mundo.

    O terceiro dia trouxe um giro para a música pop e eletrônica com Calvin Harris como cabeça de cartaz, e teve os ingressos esgotados — assim como aconteceu no sábado seguinte, dia 12, quando o Maroon 5 assumiu o Palco Mundo. Já a segunda-feira, 7 de setembro, foi marcada por uma noite histórica com Elton John, ladeado por nomes como Gilberto Gil e Jon Batiste, em um encontro simbólico entre gerações e continentes musicais.

    A segunda semana do festival trouxe a novidade mais comentada da edição: a estreia do K-pop no line-up principal do Rock in Rio, com o grupo sul-coreano Stray Kids se apresentando no dia 11 de setembro, ao lado da cantora Hwasa. O encerramento, no domingo 13, ficou por conta do Twenty One Pilots, mas o que chamou atenção da crítica foi a composição do restante do line-up daquela noite: com exceção do duo americano, toda a programação dos palcos Mundo e Sunset foi formada por artistas mulheres — Halsey, Lola Young, Ivete Sangalo, Zara Larsson, Marina Sena, Joelma e Carol Biazin —, em um fechamento que aconteceu sob chuva persistente e temperaturas baixas para os padrões cariocas.

    Ivete Sangalo se apresentando em show

    Foto: Wikimedia Commons

    Presença brasileira forte no cartaz

    Apesar dos nomes internacionais estampados nas manchetes, a música brasileira teve espaço garantido em praticamente todos os dias do festival. Capital Inicial, Detonautas, Barão Vermelho, Luísa Sonza, Alok, Pedro Sampaio, João Gomes, Gilsons, Criolo, BaianaSystem, Jota Quest e Vanessa da Mata são apenas alguns dos artistas nacionais que dividiram os palcos com as estrelas globais ao longo da semana. Ivete Sangalo, uma das artistas mais associadas à trajetória recente do festival, voltou a se apresentar na noite de encerramento, reforçando a tradição de reservar aos artistas brasileiros um lugar de destaque mesmo nas noites de maior apelo internacional.

    Essa combinação entre grandes nomes estrangeiros e a cena musical brasileira é, historicamente, uma das razões apontadas para o sucesso do formato do Rock in Rio: o festival funciona simultaneamente como vitrine internacional e como celebração da produção musical local, em gêneros que vão do rock ao pagode, passando pelo forró, o funk e o axé.

    Números que mostram o tamanho do evento

    Segundo balanço divulgado pela organização, o Rock in Rio 2026 recebeu cerca de 700 mil pessoas ao longo dos sete dias de festival, com aproximadamente metade do público vindo de fora do estado do Rio de Janeiro. A dimensão internacional também chamou atenção: público de 89 países diferentes passou pela Cidade do Rock nesta edição.

    O impacto econômico estimado chegou a R$ 3,36 bilhões, com a geração de cerca de 33,9 mil empregos diretos e indiretos — considerando toda a cadeia envolvida, de segurança e alimentação a hotelaria e transporte. Foram cerca de 30 mil pessoas credenciadas para trabalhar na organização e operação do evento, um exército de profissionais que garante o funcionamento do festival dia e noite.

    A cobertura especializada em marketing também destacou que esta edição bateu recorde de marcas patrocinadoras, reforçando o Rock in Rio como uma das maiores plataformas publicitárias do calendário de entretenimento brasileiro.

    Público caminhando pela Rock Street durante o Rock in Rio

    Foto: Wikimedia Commons

    Tecnologia, drones e a tradicional Esquadrilha da Fumaça

    Além da música, o Rock in Rio também é conhecido por investir pesado em espetáculos visuais e tecnológicos que se tornaram parte da identidade do evento. Nesta edição, seis dias do festival contaram com shows de drones formando imagens no céu, com temas como “Dia da Amazônia” e “Por um Mundo Melhor” — uma forma de o festival reforçar pautas ambientais e sociais dentro da própria programação.

    Também foi mantida a tradição do “The Flight”, sobrevoo realizado pela Esquadrilha da Fumaça (Esquadrilha Céu) sobre a Cidade do Rock, um dos momentos mais aguardados por quem acompanha o festival há anos. Fogos de artifício acompanharam a abertura dos shows principais em praticamente todas as noites, disparados a partir de balsas posicionadas estrategicamente ao redor do recinto.

    No campo da experiência do público, o aplicativo oficial do festival permitiu o agendamento de brinquedos por geolocalização e a compra antecipada de alimentos e bebidas — funcionalidades pensadas para reduzir filas em um evento que reúne dezenas de milhares de pessoas simultaneamente. A forte chuva registrada durante alguns dias chegou a suspender temporariamente esse sistema de agendamento, um lembrete de que, mesmo com toda a tecnologia envolvida, o festival segue à mercê do clima carioca.

    De 1985 até hoje: a expansão internacional da marca

    Entender o tamanho do Rock in Rio 2026 exige olhar para o histórico do festival. A primeira edição, em 1985, reuniu cerca de 1,38 milhão de pessoas em dez dias, com atrações como Queen, AC/DC e James Taylor — um feito considerado impensável para os padrões da época e que colocou o Brasil no mapa dos grandes eventos musicais do mundo. Depois de uma segunda edição em 1991, realizada no Maracanã, e uma terceira em 2001, o festival passou a se firmar com edições bienais a partir de 2011.

    A marca também ultrapassou fronteiras: Lisboa recebeu sua primeira edição em 2004 e se tornou praticamente uma casa fixa do festival em Portugal desde então, com uma nova edição já prevista para 2026. Madrid sediou três edições entre 2008 e 2012, e Las Vegas teve sua estreia — e, até agora, única edição — em 2015, marcando a primeira vez que o Rock in Rio pisou em solo norte-americano. Em 2018, a gigante Live Nation Entertainment adquiriu participação majoritária no negócio, com Roberto Medina permanecendo à frente da gestão criativa do festival que ele mesmo idealizou.

    Com a edição de 2026 encerrada, a organização já confirmou a próxima edição brasileira para 2028, mantendo o ritmo bienal que se consolidou nos últimos anos e prometendo, mais uma vez, reunir multidões na Cidade do Rock.

    O que fica desta edição

    Entre chuva, drones, fogos e uma noite de encerramento protagonizada majoritariamente por mulheres, o Rock in Rio 2026 reforçou por que o festival segue sendo um dos eventos mais aguardados do calendário cultural brasileiro. Mais do que somar grandes nomes em um cartaz, a edição deste ano mostrou a capacidade do festival de se reinventar — seja abrindo espaço para gêneros até então ausentes do line-up principal, como o K-pop, seja investindo em estrutura e tecnologia para melhorar a experiência de quem paga para estar lá. Para o público brasileiro, o Rock in Rio segue sendo, mais de quarenta anos depois de sua criação, um símbolo de que a Cidade Maravilhosa sabe, como poucas, transformar um festival de música em um acontecimento nacional.

  • Quem é Marcella Kozinski, a Miss Universe Brasil 2026 que tenta acabar com jejum de 58 anos

    Quem é Marcella Kozinski, a Miss Universe Brasil 2026 que tenta acabar com jejum de 58 anos

    Depois de quase seis décadas de espera, o Brasil volta a sonhar alto no maior concurso de beleza do planeta. Marcella Kozinski, modelo paranaense de 26 anos, foi coroada Miss Universe Brasil 2026 em uma noite de gala em São Paulo e agora se prepara para representar o país na final do Miss Universo, marcada para novembro em Porto Rico. A trajetória dela — marcada por perdas pessoais, empreendedorismo e persistência dentro do universo dos concursos de beleza — virou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais brasileiras nas últimas semanas.

    Mais do que uma disputa por uma coroa, a corrida de Kozinski reacendeu um debate antigo entre os fãs de concursos de beleza no país: por que o Brasil, uma das nações historicamente mais fortes nesse tipo de competição, não vence o Miss Universo desde 1968? A resposta não é simples, e a repercussão em torno da nova representante brasileira ajuda a entender os bastidores, as expectativas e os desafios dessa temporada.

    Neste texto, contamos quem é Marcella Kozinski, como foi o caminho até a coroa nacional, o que está em jogo na disputa internacional e por que esse assunto voltou a mobilizar tanta gente no Brasil.

    Vista do Jardim Botânico de Curitiba, cidade natal de Marcella Kozinski, no Paraná

    O Jardim Botânico é um dos cartões-postais de Curitiba, cidade onde Marcella Kozinski nasceu. Foto: Wikimedia Commons

    Quem é Marcella Kozinski

    Natural de Curitiba, no Paraná, Marcella Kozinski tem 26 anos e construiu a carreira transitando entre o mundo da moda e o dos concursos de beleza. Antes de se dedicar integralmente ao trabalho como modelo, ela chegou a comandar uma marca própria de roupas — uma ligação com o universo da moda que, segundo relatos da própria miss, vem desde a infância, quando acompanhava a mãe em viagens de compras para revenda de roupas por estados como Minas Gerais e Santa Catarina.

    A trajetória nos concursos de beleza começou ainda jovem. Aos 15 anos, Marcella perdeu o pai, um episódio que ela descreve como um ponto de virada em sua vida e que a aproximou, pouco depois, do universo das disputas de beleza. Aos 19 anos, já competia internacionalmente: em 2019, representou o Brasil no Miss International, disputado na China. Já em 2021, venceu os títulos de Miss Curitiba e, na sequência, Miss Paraná, chegando a disputar o Miss Universo Brasil daquele ano sem, no entanto, conquistar a coroa nacional.

    A segunda tentativa, em 2026, teve um desfecho diferente. Competindo pela representação de Ilha do Mel, no litoral paranaense, Kozinski superou outras 30 candidatas de diferentes estados brasileiros e foi coroada Miss Universe Brasil 2026 no dia 25 de julho, em São Paulo, sucedendo Maria Gabriela Lacerda, vencedora da edição de 2025.

    A coroação em São Paulo e a repercussão nacional

    A grande final do Miss Universe Brasil 2026 reuniu candidatas de todas as regiões do país e teve ampla cobertura de veículos como CNN Brasil e Band, o que ajudou a projetar o nome de Marcella Kozinski nacionalmente já nas primeiras horas após a coroação. Reportagens destacaram não apenas o resultado da disputa, mas também a história pessoal da nova miss, que misturou superação e empreendedorismo — um tipo de narrativa que costuma render forte identificação com o público de concursos de beleza no Brasil.

    Passado o entusiasmo da coroação, a expectativa se voltou automaticamente para o próximo — e maior — desafio: a disputa pelo título de Miss Universo, concurso internacional que reúne representantes de dezenas de países e que é acompanhado por milhões de espectadores ao redor do mundo, incluindo um público brasileiro historicamente muito engajado com o tema.

    O jejum brasileiro de 58 anos no Miss Universo

    Um dos pontos que mais alimenta o interesse em torno da campanha de Marcella Kozinski é justamente o retrospecto do Brasil na competição internacional. O país é um dos que mais enviaram representantes ao Miss Universo ao longo da história e figura entre as nações com maior número de colocações no top 5, mas amarga um jejum de vitórias que se arrasta desde 1968, quando Martha Vasconcellos foi coroada Miss Universo.

    Esse hiato de mais de cinco décadas transformou cada nova Miss Universe Brasil em uma espécie de “aposta da vez” nas rodas de discussão sobre concursos de beleza, com fã-clubes, colunistas especializados e páginas de análise nas redes sociais tentando prever se, finalmente, a sequência será quebrada. Kozinski chega à disputa internacional carregando esse peso simbólico, algo que ela própria já mencionou publicamente como uma motivação extra em sua preparação.

    Como funciona o caminho até a final internacional

    Entre a coroação nacional e a disputa em Porto Rico, misses de todo o mundo passam por uma extensa preparação, que inclui treinamento físico, aulas de oratória e postura, produção de guarda-roupa para as diferentes etapas da competição e, em muitos casos, apoio de equipes de assessoria especializadas em concursos internacionais. A logística é cara e costuma envolver patrocínios, já que os custos de viagem, hospedagem e figurino para um concurso do porte do Miss Universo são elevados.

    No caso brasileiro, a organização nacional do Miss Universe Brasil é responsável por parte dessa preparação, mas é comum que a candidata também recorra a apoiadores e marcas parceiras para viabilizar a jornada internacional — um modelo parecido com o adotado por outras federações nacionais ao redor do mundo.

    Onde e quando acontece o Miss Universo 2026

    A final do Miss Universo 2026 está marcada para o dia 24 de novembro, em San Juan, capital de Porto Rico, no complexo San Juan Marriott Resort & Stellaris Casino. As candidatas devem entrar em período de concentração dias antes da grande final, entre 15 e 25 de novembro, cumprindo agenda de atividades, ensaios e etapas preliminares — que costumam incluir desfiles de trajes de banho e vestidos de gala, além de entrevistas com o júri, decisivas para a formação da nota final de cada representante.

    Vista da orla e do horizonte de San Juan, capital de Porto Rico, sede da final do Miss Universo 2026

    San Juan, capital de Porto Rico, recebe a grande final do Miss Universo 2026 em novembro. Foto: Wikimedia Commons

    A escolha de Porto Rico como sede reforça a tradição do território caribenho com o concurso: o local já conta com histórico de sediar edições do Miss Universo e mantém forte tradição na disputa, tendo revelado diversas vencedoras ao longo dos anos. Para o público brasileiro, a expectativa é acompanhar a transmissão do evento — em edições recentes, a cobertura no Brasil ficou a cargo de serviços de streaming, com destaque para a plataforma RecordPlus na edição anterior.

    Ilha do Mel: o cenário que Marcella representa

    Uma curiosidade que chamou atenção do público é o fato de Kozinski representar, na disputa nacional, o destino turístico de Ilha do Mel, arquipélago localizado no litoral do Paraná, no município de Paranaguá. Conhecida por suas praias preservadas, trilhas ecológicas e pela ausência de veículos motorizados — o acesso à ilha é feito por barco e a circulação local acontece a pé —, Ilha do Mel é um dos destinos mais procurados do litoral paranaense e ganhou ainda mais visibilidade nacional com a conquista da miss.

    Farol histórico na Ilha do Mel, no litoral do Paraná, destino que Marcella Kozinski representou no concurso nacional

    O farol histórico é um dos símbolos da Ilha do Mel, no litoral paranaense, região representada por Marcella Kozinski na disputa nacional. Foto: Wikimedia Commons

    A escolha de representar municípios ou destinos turísticos específicos, em vez de estados inteiros, é uma prática cada vez mais comum em concursos de beleza estaduais e nacionais pelo Brasil, funcionando também como uma forma de promoção turística das regiões envolvidas.

    O que esperar da campanha de Marcella no Miss Universo

    Com a coroação nacional já consolidada, a atenção do público brasileiro que acompanha concursos de beleza deve se concentrar, nas próximas semanas, nos preparativos de Marcella Kozinski para a disputa internacional: escolha de trajes, treinamentos específicos, aparições públicas e, eventualmente, ações de divulgação ligadas à preparação para Porto Rico.

    Histórias de superação pessoal aliadas a uma trajetória de anos dentro do universo dos concursos de beleza — como é o caso de Kozinski, que soma participações desde 2019 — costumam ser bem recebidas pelo público e pela crítica especializada em pageants, o que pode se traduzir em uma campanha internacional com boa repercussão, independentemente do resultado final em novembro.

    Conclusão

    Seja pelo simbolismo do jejum de 58 anos, pela história pessoal de superação ou pela curiosidade em torno de Ilha do Mel, a caminhada de Marcella Kozinski rumo ao Miss Universo 2026 promete continuar rendendo assunto nos próximos meses. Resta agora acompanhar a preparação da representante brasileira até a grande final, marcada para o dia 24 de novembro em San Juan, Porto Rico — um momento que, mais uma vez, vai colocar o Brasil na disputa por um título que o país não conquista desde 1968.

  • Rock in Rio 2026 termina com 700 mil pessoas e R$ 3,36 bilhões em impacto econômico; edição de 2028 já está confirmada

    Rock in Rio 2026 termina com 700 mil pessoas e R$ 3,36 bilhões em impacto econômico; edição de 2028 já está confirmada

    O pó da Cidade do Rock ainda não assentou direito e os números da edição de 2026 do Rock in Rio já estão dando o que falar. Depois de sete dias de festival, divididos em dois fins de semana de setembro — 4, 5 e 6, e depois 11, 12 e 13 —, o maior festival de música do Brasil fechou as portas com um público estimado em mais de 700 mil pessoas e um impacto econômico calculado em R$ 3,36 bilhões para a cidade do Rio de Janeiro, segundo balanço divulgado pelos organizadores.

    Mais do que uma sequência de shows, o Rock in Rio se consolidou, ao longo de mais de quatro décadas, como um fenômeno de organização logística, turismo e economia criativa. A 11ª edição brasileira do festival — batizada por parte da imprensa e dos fãs de “Rock in Rio XI” — reforçou esse papel: trouxe multidões de fora do estado do Rio de Janeiro, movimentou hotéis, transporte e comércio local, e já garantiu ao público a confirmação de uma próxima edição para 2028, mantendo a tradição bienal que o evento adotou nos últimos ciclos.

    Neste artigo, reunimos o que se sabe sobre os números oficiais da edição de 2026, revisitamos a história do festival desde sua criação em 1985, explicamos por que o Rock in Rio se tornou um case de sucesso em termos de impacto econômico e cultural, e discutimos o que esperar da próxima edição, já anunciada para 2028.

    Estrutura do festival Rock in Rio na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro

    Foto: Wikimedia Commons

    Os números da edição de 2026: sete dias, 700 mil pessoas

    Segundo o balanço oficial divulgado pelos organizadores após o encerramento do festival, o Rock in Rio 2026 reuniu mais de 700 mil pessoas ao longo dos sete dias de evento, distribuídos em dois fins de semana consecutivos de setembro. O modelo de “dois fins de semana” — em vez de uma semana corrida de shows — já vinha sendo adotado nas últimas edições e permite à organização escalar a capacidade de público sem comprometer a experiência dentro da Cidade do Rock, o complexo de arenas, palcos e áreas de convivência montado especialmente para o festival.

    Um dos destaques do balanço foi a proporção de público vindo de fora do estado do Rio de Janeiro. Os organizadores destacaram a forte presença de turistas de outros estados brasileiros, o que reforça o papel do festival como motor do chamado “turismo de eventos” — quando um público viaja especificamente para participar de um acontecimento, gerando receita em hospedagem, alimentação, transporte e comércio local muito além da bilheteria do evento em si.

    Esse comportamento ajuda a explicar o número mais chamativo do balanço: um impacto econômico estimado em R$ 3,36 bilhões gerados pela edição de 2026 na cidade do Rio de Janeiro. O valor considera a cadeia inteira de gastos ligados ao festival — de ingressos e patrocínios a hospedagem, alimentação e serviços — e coloca o Rock in Rio entre os maiores eventos geradores de receita do calendário brasileiro de entretenimento ao vivo.

    Uma história que começou em 1985

    Para entender por que o Rock in Rio consegue mobilizar esse tipo de número, é preciso voltar a 1985, ano em que o empresário Roberto Medina organizou a primeira edição do festival, também no Rio de Janeiro. Naquele momento, o Brasil vivia a redemocratização após o fim da ditadura militar, e um festival de rock de grande porte, com nomes internacionais dividindo palco com artistas brasileiros, tinha um significado cultural que ia além da música: era também um símbolo de abertura e de conexão do país com o resto do mundo.

    Desde então, o festival passou por diferentes fases e formatos. Ele deixou de ser um evento exclusivamente brasileiro para ganhar edições internacionais — já existiram, ao longo dos anos, versões do Rock in Rio em cidades como Lisboa e Madri, o que ajudou a consolidar a marca como uma franquia global de entretenimento ao vivo, não apenas um festival local. No Brasil, a organização migrou ao longo do tempo para um modelo de edições bienais, o que permite um intervalo maior de planejamento, negociação de line-up e construção da estrutura física do evento.

    A edição de 2026 é tratada por parte da imprensa especializada como a 11ª edição brasileira do festival, o que dá uma dimensão da longevidade do projeto: são mais de quatro décadas de existência, atravessando mudanças profundas na indústria da música, no comportamento do público e na própria cidade do Rio de Janeiro, que se transformou em paralelo ao crescimento do evento.

    Show em palco do Rock in Rio, com artista se apresentando ao vivo

    Foto: Wikimedia Commons

    Por que o Rock in Rio virou um case de economia de eventos

    O impacto econômico bilionário divulgado para a edição de 2026 não é um fenômeno isolado — é o resultado de um modelo de negócio que o Rock in Rio vem aperfeiçoando há décadas. A organização combina três frentes de receita e geração de valor que se reforçam mutuamente: a venda de ingressos para um público de massa, a monetização por meio de patrocínios e ativações de marca dentro do espaço do festival, e o chamado “efeito cidade”, que é o gasto indireto gerado por quem viaja para acompanhar o evento.

    Sobre a segunda frente, vale destacar que balanços do setor de marketing e publicidade apontaram, na edição de 2026, recordes de ativações de marcas patrocinadoras dentro da Cidade do Rock. Isso significa que empresas de diferentes setores — de bebidas a tecnologia, passando por bancos e operadoras de telecomunicação — montaram estruturas, experiências e ações promocionais dentro do festival para se conectar com o público presente, em uma lógica de marketing experiencial que vem crescendo em popularidade nos últimos anos.

    Do ponto de vista do leitor comum, esse tipo de balanço tem uma implicação prática direta: cidades e regiões que conseguem atrair grandes eventos como esse tendem a ver reflexos positivos em setores como hotelaria, transporte por aplicativo, gastronomia e comércio de rua durante o período do evento. É por isso que prefeituras e órgãos de turismo costumam acompanhar de perto — e às vezes até apoiar institucionalmente — a realização de festivais dessa magnitude.

    O modelo bienal e a confirmação da edição de 2028

    Um dos anúncios que acompanhou o balanço final da edição de 2026 foi a confirmação de uma nova edição do Rock in Rio no Brasil para 2028. A escolha por um formato bienal — realizar o festival a cada dois anos, em vez de anualmente — faz parte da estratégia de longo prazo da organização, que soma a isso as edições internacionais da marca em outros países, distribuindo o calendário de grandes produções ao longo do tempo.

    Esse espaçamento entre edições também tem uma lógica prática: permite à organização negociar contratos com artistas internacionais de peso com mais antecedência, planejar melhorias estruturais na Cidade do Rock e reduzir a pressão logística sobre a cidade do Rio de Janeiro, que precisa lidar com a movimentação de centenas de milhares de pessoas em um curto espaço de tempo. Para o público, o intervalo maior entre edições também tende a aumentar a expectativa e o desejo de participar, o que ajuda a explicar por que ingressos para o festival costumam esgotar rapidamente quando colocados à venda.

    O Rock in Rio no cenário mais amplo dos festivais brasileiros

    A edição de 2026 do Rock in Rio aconteceu em um momento em que o Brasil vive uma cena de grandes festivais de música particularmente aquecida, com eventos como o The Town e o Rock the Mountain também disputando atenção do público e de patrocinadores ao longo do ano. Ainda assim, o Rock in Rio segue sendo tratado pela imprensa e pelo mercado como o evento mais tradicional e, historicamente, um dos de maior porte do país — um status construído ao longo de mais de 40 anos de existência, e não apenas pelo tamanho do público em uma única edição.

    Essa combinação de tradição histórica com capacidade de se reinventar comercialmente — incorporando novas tendências de patrocínio, tecnologia e experiência do público — ajuda a explicar por que o festival continua relevante mesmo em um mercado de entretenimento ao vivo cada vez mais competitivo e fragmentado, com dezenas de outros festivais disputando o mesmo público e os mesmos orçamentos de marketing das marcas patrocinadoras.

    Registro de show no palco do Rock in Rio

    Foto: Wikimedia Commons

    O que esperar dos próximos anos

    Com a edição de 2026 encerrada e a de 2028 já confirmada, a expectativa do público e do mercado se volta agora para os próximos passos da organização: quais artistas internacionais poderão ser anunciados, como a estrutura da Cidade do Rock pode evoluir, e de que forma o festival vai continuar equilibrando a experiência musical com o crescente peso comercial das ativações de marca dentro do evento.

    Para quem acompanha de fora, os números da edição de 2026 servem como um lembrete de como um evento cultural bem estabelecido pode se transformar em um ativo econômico relevante para uma cidade inteira — gerando empregos temporários, aquecendo o turismo e colocando o Rio de Janeiro, mais uma vez, no centro das atenções do público de música ao vivo, não só no Brasil, mas também internacionalmente, dado o alcance da marca Rock in Rio em outros países.

    Em resumo, a edição de 2026 do Rock in Rio confirma o que o festival já vinha demonstrando há décadas: a capacidade de unir escala, tradição e relevância econômica em um só evento. Com mais de 700 mil pessoas passando pela Cidade do Rock e um impacto bilionário para a economia carioca, o festival se despede desta edição já de olho em 2028, mantendo viva a expectativa de milhões de fãs de música espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

  • Tim Cook passa o comando: John Ternus é o novo CEO da Apple e estreia com o primeiro iPhone dobrável

    Tim Cook passa o comando: John Ternus é o novo CEO da Apple e estreia com o primeiro iPhone dobrável

    No dia 1º de setembro de 2026, a Apple virou uma página que estava sendo escrita havia 15 anos. Tim Cook, o executivo que sucedeu ninguém menos que Steve Jobs em 2011, deixou o cargo de CEO e passou a ocupar a posição de Presidente Executivo (Executive Chairman) da companhia. Em seu lugar assumiu John Ternus, engenheiro de 51 anos que construiu a carreira inteira dentro da Apple e que, até então, era o principal responsável pela engenharia de hardware de praticamente todos os produtos da marca — do iPhone ao Apple Watch.

    A troca não veio isolada. Ela coincidiu com um dos eventos mais aguardados da história recente da empresa: em 9 de setembro, no Steve Jobs Theater, dentro do campus circular do Apple Park em Cupertino, a Apple apresentou ao mundo seu primeiro iPhone dobrável, além da nova geração do iPhone Pro. Foi a estreia de Ternus no palco como CEO, e também um teste imediato de como ele pretende conduzir a empresa mais valiosa do planeta.

    Neste artigo, contextualizamos por que essa mudança de comando é significativa, quem é John Ternus, o que exatamente foi anunciado no evento de setembro e o que tudo isso pode significar na prática para quem usa (ou pensa em comprar) produtos Apple no Brasil.

    Uma sucessão que ecoa 2011

    Para entender o peso do momento, vale lembrar o paralelo histórico. Em agosto de 2011, Steve Jobs, já debilitado pela doença que o levaria à morte poucas semanas depois, escreveu uma carta ao conselho da Apple recomendando Tim Cook como seu sucessor. Cook, que já era o número dois da empresa havia anos, assumiu em um momento de enorme incerteza: muita gente duvidava que a Apple conseguisse manter o ritmo de inovação sem seu fundador.

    Quinze anos depois, os números mostram que a aposta deu certo em termos financeiros. Sob a gestão de Cook, o valor de mercado da Apple saltou de cerca de US$ 350 bilhões, em 2011, para algo próximo de US$ 4 trilhões em 2026 — um crescimento superior a 1.000%. A receita anual da empresa foi de US$ 108 bilhões para mais de US$ 400 bilhões no mesmo período, e a base instalada de dispositivos ativos no mundo hoje passa de 2,5 bilhões de aparelhos. A ação da companhia acumulou valorização de mais de 2.000% ao longo da era Cook.

    O anúncio da sucessão foi feito de forma unânime pelo conselho de administração em 20 de abril de 2026, com efetivação marcada para 1º de setembro — uma transição planejada e comunicada com meses de antecedência, ao contrário da troca abrupta de 2011. Cook não deixa a empresa: passa a atuar como Presidente Executivo, mantendo influência estratégica, enquanto Arthur Levinson, que presidia o conselho, assume a função de diretor independente líder.

    Tim Cook e John Ternus em evento oficial em São Francisco, maio de 2026

    Tim Cook (à esquerda) e John Ternus (à direita) em compromisso oficial em São Francisco, poucos meses antes da transição de comando. Foto: Wikimedia Commons / Parlamento Europeu.

    Quem é John Ternus, o novo CEO

    Diferentemente de Cook — que veio da área de operações e logística, tendo se tornado famoso por reorganizar a cadeia de suprimentos da Apple nos anos 2000 — John Ternus é, na essência, um engenheiro de produto. Nascido na Califórnia em 1975, ele se formou em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia em 1997, onde também foi nadador do time universitário. Ainda na faculdade, seu projeto de conclusão de curso foi um dispositivo assistivo para ajudar pessoas com limitações motoras a se alimentarem sozinhas — um indício precoce do interesse por hardware aplicado a problemas concretos.

    Ternus entrou na Apple em 2001, ainda nos primeiros anos da era Jobs, trabalhando inicialmente no design do monitor Apple Cinema Display. A partir daí, sua trajetória foi uma escalada constante dentro da engenharia de hardware: em 2013 foi promovido a vice-presidente de Engenharia de Hardware, em 2020 passou a supervisionar o desenvolvimento de hardware do iPhone, e em 2021 tornou-se vice-presidente sênior da área, sucedendo Dan Riccio. Em 2022, assumiu também a responsabilidade pelo hardware do Apple Watch, e, em janeiro de 2026, passou a coordenar adicionalmente a equipe de design industrial da empresa — o grupo que define a linguagem visual de todos os produtos Apple.

    Ele é apontado como uma das figuras-chave por trás da transição dos Macs dos processadores Intel para os chips próprios da Apple (Apple Silicon), um dos movimentos técnicos mais arriscados e bem-sucedidos da história recente da empresa, além de ter liderado o desenvolvimento de gerações do iPad e dos AirPods. Fora do trabalho, Ternus é entusiasta de ciclismo e automobilismo, chegando a competir em pistas com um Porsche — um traço de personalidade que contrasta com o perfil mais discreto e operacional de Cook.

    Analistas de mercado enxergam na escolha um sinal claro de prioridade estratégica. Segundo comentários de especialistas em governança corporativa após o anúncio, colocar um engenheiro de hardware no comando — em vez de um executivo de finanças, marketing ou serviços — sugere que a Apple quer redobrar a aposta na inovação de produto físico como diferencial competitivo, especialmente em um momento em que rivais como Samsung e Google avançam agressivamente em inteligência artificial embarcada e nos aparelhos dobráveis.

    O evento de 9 de setembro: a estreia de Ternus como CEO

    Com o slogan “Surprise and shine”, a Apple reuniu jornalistas e convidados no Steve Jobs Theater, dentro do Apple Park, para o que se tornou a primeira grande keynote comandada por Ternus. O evento, realizado às 10h no horário da Califórnia, tinha dois protagonistas centrais: o novo iPhone dobrável, batizado nas primeiras coberturas ora de “iPhone Fold” ora de versões com nomes alternativos, e o iPhone 18 Pro, sucessor direto do modelo do ano anterior.

    John Ternus, CEO da Apple, em evento da empresa

    John Ternus, atual CEO da Apple, fotografado em evento da empresa em 2026. Foto: Wikimedia Commons / Tessa Bury.

    O primeiro iPhone dobrável da Apple

    Depois de anos de rumores e de assistir a Samsung consolidar sua linha Galaxy Fold desde 2019, a Apple finalmente entrou no mercado de smartphones dobráveis. O aparelho apresentado tem uma tela externa de 5,5 polegadas — para uso rápido, como um smartphone convencional — e uma tela interna de 7,8 polegadas em formato quase quadrado (proporção 4:3), que se abre como um pequeno tablet.

    Sob o capô, o novo chip A20 Pro comanda o aparelho, acompanhado de 12 GB de memória RAM. A dupla de câmeras traseiras, de 48 megapixels cada (uma principal e uma ultra-angular), chama atenção pela ausência de uma lente teleobjetiva — uma escolha de engenharia provavelmente ligada ao espaço interno limitado pela dobradiça. Outro detalhe técnico relevante: como o aparelho tem apenas 4,5 mm de espessura quando desdobrado, a Apple optou por manter a autenticação biométrica via Touch ID integrado ao botão de energia, abrindo mão do Face ID nessa primeira geração. A bateria combinada gira em torno de 4.900 mAh.

    O preço inicial nos Estados Unidos ultrapassa os US$ 2.000, o que, convertido e somado aos impostos de importação praticados no Brasil, pode colocar a versão mais cara do aparelho na casa de R$ 100 mil segundo estimativas de veículos brasileiros especializados — um valor comparável ao de um carro popular zero-quilômetro. A produção inicial também é limitada, entre 500 mil e 1 milhão de unidades no terceiro trimestre de 2026, com disponibilidade mais ampla prevista apenas para o início de 2027. Ou seja: quem quiser o aparelho logo de cara vai enfrentar tanto um preço salgado quanto estoque curto.

    iPhone 18 Pro e os outros lançamentos

    Ao lado do dobrável, a Apple renovou sua linha “Pro” com o iPhone 18 Pro, que também recebe o chip A20 Pro e 12 GB de RAM. A câmera principal passa a ter abertura variável, entre f/1.4 e f/2.8, permitindo mais controle sobre profundidade de campo e desempenho em pouca luz — um recurso historicamente reservado a câmeras profissionais. A câmera frontal foi atualizada para 24 megapixels, e o recorte da Dynamic Island, o elemento de interface na parte superior da tela, foi reduzido em cerca de 35%, liberando mais área útil de tela. A paleta de cores ganhou a tonalidade “Dark Cherry”, substituindo o “Cosmic Orange” da geração anterior.

    Segundo estimativas de mercado, o preço do iPhone 18 Pro deve ficar entre US$ 1.299 e US$ 1.369, uma alta de US$ 200 a US$ 270 em relação aos US$ 1.099 cobrados pelo iPhone 17 Pro no lançamento anterior. O evento também trouxe atualizações para o Apple Watch, com as novas séries Series 12 e Ultra 4 equipadas com o chip S11, além de uma nova geração de AirPods. Modelos mais acessíveis, como o iPhone 18 padrão, o iPhone 18e e o iPhone Air 2, ficaram de fora da apresentação de setembro e devem chegar apenas na primavera do hemisfério norte de 2027.

    Apple Park: o cenário simbólico da nova era

    Não é acaso que a Apple tenha escolhido justamente o Steve Jobs Theater, dentro do Apple Park, para apresentar o primeiro grande lançamento da era Ternus. O campus circular de Cupertino, inaugurado em 2017 e projetado para acomodar mais de 12 mil funcionários, é hoje o símbolo arquitetônico da Apple pós-Jobs — construído sob supervisão de Tim Cook, mas concebido ainda com a participação do fundador da empresa antes de sua morte.

    Vista aérea do Apple Park, sede da Apple em Cupertino, Califórnia

    Vista aérea do Apple Park, campus-sede da Apple em Cupertino, Califórnia, onde fica o Steve Jobs Theater. Foto: Wikimedia Commons.

    Realizar ali a estreia de Ternus como CEO reforça uma mensagem de continuidade: a nova liderança não rompe com a identidade da Apple construída nas últimas décadas, mas assume o desafio de mantê-la relevante em um mercado cada vez mais disputado por concorrentes chineses, coreanos e pelo avanço acelerado da inteligência artificial em outros ecossistemas de hardware.

    O que muda na prática para o consumidor brasileiro

    Para quem usa iPhone, Apple Watch ou qualquer outro produto da marca no dia a dia, a troca de comando em si não deve gerar mudanças imediatas perceptíveis — decisões de design, preço e estratégia de produto são processos que levam anos para amadurecer, e boa parte do que foi lançado em setembro já estava em desenvolvimento havia bastante tempo, sob a gestão conjunta de Cook e Ternus. Mas alguns pontos práticos já valem atenção:

    • O iPhone dobrável chega ao mercado global de forma limitada e cara, então não deve ser uma opção realista para a maioria dos consumidores brasileiros neste primeiro momento — sua função principal, por ora, é sinalizar capacidade tecnológica e testar a resposta do público.
    • O iPhone 18 Pro, por outro lado, é o lançamento com maior chance de chegar às prateleiras brasileiras em quantidade e ser efetivamente considerado por quem está trocando de aparelho, ainda que com aumento de preço em relação à geração anterior.
    • Câmbio, impostos de importação e a política de preços da Apple no Brasil historicamente fazem os valores por aqui superarem, proporcionalmente, os praticados nos Estados Unidos — o que deve se repetir com essa nova leva de produtos.
    • A mudança de liderança tende a ser sentida, na prática, por quem acompanha a cultura e a estratégia de longo prazo da empresa: analistas apontam que a escolha de um engenheiro de hardware para o posto mais alto sinaliza que inovação física de produto — e não apenas serviços digitais — deve continuar no centro da estratégia da Apple nos próximos anos.

    Um momento de transição observado de perto pelo mercado

    A resposta inicial do mercado financeiro ao anúncio da sucessão foi discreta, mas positiva: as ações da Apple subiram cerca de 2,2% no dia da confirmação da mudança, e a diretoria destacou que a decisão fazia parte de um plano de sucessão de longo prazo, e não de uma reação a pressões externas. Isso contrasta com episódios de troca abrupta de CEO vistos em outras grandes empresas de tecnologia, e reforça a leitura de que a Apple tratou o momento como um marco planejado, e não como uma crise.

    Ainda é cedo para avaliar o impacto de longo prazo da era Ternus. O primeiro grande teste — o iPhone dobrável — só terá seu veredito real quando chegar às mãos dos consumidores em maior escala, algo previsto para os próximos meses. Até lá, o mercado, os concorrentes e o público seguem de olho em como o engenheiro que passou 25 anos dentro da Apple vai equilibrar a herança de Tim Cook com sua própria marca à frente da empresa mais valiosa do mundo.

  • Rock in Rio 2026: por dentro dos recordes, do K-pop no Palco Mundo e dos bastidores do maior festival do Brasil

    Rock in Rio 2026: por dentro dos recordes, do K-pop no Palco Mundo e dos bastidores do maior festival do Brasil

    O Rock in Rio 2026 chegou ao fim, e o que ficou foi um misto de recordes de público, homenagens emocionantes e um verdadeiro choque de gerações e gêneros musicais no Rio de Janeiro. Entre os dias 4 e 13 de setembro, a Cidade do Rock recebeu duas rodadas de shows — um primeiro bloco de quatro dias e um segundo de três — reunindo cerca de 700 mil pessoas ao longo da edição, com público vindo de dezenas de países e de praticamente todos os estados brasileiros.

    Mais do que um festival de música, o Rock in Rio se consolidou, mais uma vez, como um fenômeno cultural e econômico. A programação misturou nomes lendários do rock e da MPB com atrações do K-pop, do hip-hop e da eletrônica, provando que o festival carioca continua se reinventando 41 anos depois da sua primeira edição, em 1985. Para quem acompanhou de perto ou só viu os recortes viralizarem nas redes sociais, vale entender o que tornou esta edição tão comentada — e por que ela já está sendo chamada de uma das mais marcantes da história do evento.

    Elton John se apresentando ao vivo em um show

    Elton John, uma das lendas que subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio 2026. Foto: Wikimedia Commons (imagem ilustrativa de outra apresentação do artista).

    Um line-up que atravessou gerações

    A curadoria do Rock in Rio 2026 apostou pesado na mistura de públicos. No Palco Mundo, o principal do festival, passaram nomes como Elton John, Foo Fighters, Avenged Sevenfold, Twenty One Pilots, Maroon 5, Halsey e o produtor Calvin Harris, representando a vertente eletrônica. Do lado brasileiro, Gilberto Gil foi um dos pontos altos, levando a plateia à emoção com um repertório que atravessa décadas da música popular brasileira.

    Essa alternância entre nomes internacionais consagrados e representantes da música brasileira é uma característica histórica do festival, que desde a primeira edição, em 1985, tenta equilibrar os dois públicos em uma mesma programação. Bandas de rock clássico dividem espaço com pop internacional, funk carioca, rap nacional e, mais recentemente, com gêneros que ganharam força global via streaming, como o K-pop — uma mudança que reflete diretamente o comportamento de consumo musical da geração mais jovem que hoje lota a Cidade do Rock.

    O momento mais comentado, no entanto, ficou por conta do grupo sul-coreano Stray Kids, que se tornou o primeiro ato de K-pop a headlinear o Palco Mundo na história do festival, ao lado de outros representantes do gênero como Hwasa e Nexz. A presença maciça de fãs de K-pop na Cidade do Rock mostrou como o público do Rock in Rio mudou — e se internacionalizou — nas últimas edições.

    Outros palcos também tiveram protagonismo. O Espaço Favela, dedicado ao rap e à cultura urbana brasileira, seguiu como uma das áreas mais concorridas do festival, enquanto o New Dance Order recebeu o público eletrônico e o Palco Supernova apostou em tributos e formações históricas, como a reunião de integrantes originais do Barão Vermelho. Já o Global Village trouxe atrações de música do mundo em um ambiente mais intimista.

    Show ao vivo no Rock in Rio, com artista se apresentando no palco

    Um show na Cidade do Rock: o festival reúne, historicamente, artistas de dezenas de países em seus diferentes palcos. Foto: Wikimedia Commons.

    Recorde de público e impacto econômico

    Segundo balanço divulgado pela organização, o Rock in Rio 2026 recebeu cerca de 700 mil pessoas ao longo dos sete dias de festival, com metade do público vindo de fora do estado do Rio de Janeiro e visitantes de dezenas de países diferentes. Os números reforçam o caráter cada vez mais internacional do evento, que nasceu em 1985 como uma aposta ousada do empresário Roberto Medina e hoje é replicado em cidades como Lisboa e Las Vegas.

    O impacto na economia local também foi expressivo. O festival gerou bilhões de reais em movimentação para a cidade do Rio de Janeiro, com milhares de postos de trabalho diretos e indiretos criados apenas para a montagem, operação e desmontagem da estrutura na Cidade do Rock — incluindo equipe de segurança, alimentação, logística e produção. A Praça de Alimentação e a Rua do Rock, tradicionais pontos de encontro do público entre um show e outro, voltaram a registrar movimento recorde.

    Esse tipo de impacto é um dos argumentos mais usados por organizadores e pelo poder público municipal para justificar o investimento em infraestrutura na região da Cidade do Rock, na Barra da Tijuca. Hotéis, redes de transporte e comércio local historicamente registram aumento de demanda nos períodos de realização do evento, o que transforma o festival em um motor econômico temporário para diversos setores da cidade, muito além do universo da música.

    Chuva, superação e bastidores

    Nem tudo foram dias de sol na Cidade do Rock. Boa parte da edição 2026 enfrentou chuva, o que levou a vice-presidente do festival, Roberta Medina, a brincar publicamente que “a chuva foi um dos nossos artistas este ano”. Mesmo assim, o público manteve a energia característica do evento, e a organização reforçou a logística de escoamento de água e atendimento para lidar com o solo encharcado — um desafio recorrente em edições chuvosas do festival ao longo de sua história.

    Nos bastidores, os encontros entre artistas também renderam repercussão. Elton John, em sua passagem pelo Brasil, declarou publicamente que o país é “um dos melhores para mim” e foi flagrado elogiando Gilberto Gil nos bastidores — um encontro simbólico entre duas lendas de gerações e continentes diferentes que reforça o caráter de celebração musical que o Rock in Rio tenta cultivar a cada edição.

    Multidão de público acompanhando um show no Rock in Rio

    Parte do público que lota a Cidade do Rock a cada edição do festival. Foto: Wikimedia Commons.

    Por que o Rock in Rio continua relevante

    Passadas mais de quatro décadas desde a primeira edição, o Rock in Rio segue sendo um termômetro interessante do gosto musical brasileiro e também um case de gestão de eventos em grande escala. A cada ano, a organização precisa equilibrar nostalgia — trazendo bandas e artistas que marcaram gerações anteriores — com a necessidade de dialogar com um público mais jovem, cada vez mais influenciado por fenômenos globais como o K-pop e o streaming de música.

    Esse equilíbrio delicado é parte do motivo pelo qual o festival consegue se manter relevante em um mercado de entretenimento cada vez mais fragmentado, com dezenas de festivais concorrentes disputando atenção e patrocínio ao longo do ano no Brasil, incluindo o The Town, realizado em São Paulo. A escolha de headliners inéditos no Brasil, como foi o caso de Stray Kids, é também uma estratégia clara para captar públicos que talvez nunca tivessem ido a um festival de rock tradicional.

    O que esperar da próxima edição

    Antes mesmo do fechamento dos portões da Cidade do Rock em 2026, a organização já confirmou a realização da próxima edição do festival no Brasil, prevista para 2028, seguindo o formato bienal que o Rock in Rio adota desde a retomada pós-pandemia. Entre as novidades anunciadas está uma corrida de rua para fãs, com chegada na própria Cidade do Rock, marcada para acontecer durante os preparativos da edição futura.

    Para quem não conseguiu ingresso ou não pôde comparecer, os registros em vídeo e fotos feitos por fãs e pela produção do evento devem continuar circulando nas redes sociais nas próximas semanas, mantendo viva a repercussão dos shows mais comentados desta edição — do inédito headline de K-pop à night de clássicos com Gilberto Gil e Elton John.

    Conclusão

    O Rock in Rio 2026 confirmou, mais uma vez, por que o festival carioca é considerado um dos maiores eventos de música do planeta: a combinação de escala, diversidade de gêneros musicais e capacidade de gerar momentos únicos — como o encontro entre Elton John e Gilberto Gil ou a estreia histórica do K-pop no Palco Mundo — é difícil de replicar. Com a edição de 2028 já confirmada, resta ao público brasileiro e aos fãs internacionais aguardar as próximas atrações e torcer para que o sol dê as caras na próxima Cidade do Rock.

  • Tim Cook deixa a Apple: John Ternus é o novo CEO e chega o iPhone dobrável

    Tim Cook deixa a Apple: John Ternus é o novo CEO e chega o iPhone dobrável

    Depois de quase 15 anos comandando a empresa mais valiosa do mundo, Tim Cook deixou o cargo de CEO da Apple. A transição, anunciada meses antes e efetivada em setembro de 2026, colocou John Ternus, até então chefe de engenharia de hardware da companhia, na cadeira mais importante de Cupertino. A mudança de comando aconteceu praticamente em cima do lançamento da linha iPhone 18, incluindo o tão aguardado iPhone dobrável, batizado informalmente de “iPhone Duo” — um dos produtos mais comentados da história recente da marca.

    A combinação de dois eventos raros — a troca de liderança de uma gigante da tecnologia e o lançamento do produto mais ambicioso da década para a companhia — fez da Apple o assunto mais comentado do mundo tech nas últimas semanas. Para o público brasileiro, que consome produtos Apple em larga escala e acompanha de perto cada novidade da marca, entender o que muda com a saída de Cook e o que esperar do novo iPhone é essencial.

    Neste artigo, reunimos o contexto completo dessa transição: quem é John Ternus, o legado que Tim Cook deixa, as novidades do iPhone 18 e o que essa mudança pode significar para o futuro da Apple nos próximos anos.

    Tim Cook, ex-CEO da Apple, em evento público

    Tim Cook liderou a Apple entre 2011 e 2026. Foto: Wikimedia Commons

    O fim de uma era: 15 anos de Tim Cook à frente da Apple

    Tim Cook assumiu o comando da Apple em agosto de 2011, logo após a saída de Steve Jobs, fundador da empresa, que viria a falecer poucas semanas depois. Na época, muitos analistas duvidavam que a Apple conseguiria manter o mesmo ritmo de inovação sem seu fundador visionário à frente. Cook, no entanto, provou ser um administrador extremamente competente: sob sua gestão, a Apple se tornou a primeira empresa do mundo a atingir a marca de um trilhão de dólares em valor de mercado, e depois seguiu batendo recordes sucessivos de valuation.

    O estilo de Cook sempre foi mais discreto e operacional do que o de Jobs. Formado em engenharia industrial, ele construiu sua reputação justamente na área de operações e cadeia de suprimentos, o que ajudou a Apple a otimizar drasticamente a produção em massa de iPhones, iPads e Macs. Durante sua gestão, a empresa também expandiu fortemente o segmento de serviços (Apple Music, iCloud, Apple TV+, Apple Pay), reduzindo a dependência quase exclusiva do iPhone como fonte de receita.

    Cook não deixa a Apple completamente: segundo o anúncio oficial da empresa, ele passa a ocupar o cargo de presidente executivo do conselho (executive chairman), mantendo influência estratégica na companhia, mas sem as responsabilidades do dia a dia como CEO. É um modelo de transição parecido com o que outras gigantes de tecnologia adotaram ao trocar de comando nos últimos anos.

    Quem é John Ternus, o novo CEO da Apple

    John Ternus não é um nome desconhecido dentro da Apple, mas é a primeira vez que ele ganha grande destaque público fora dos bastidores da engenharia. Ele estava na empresa havia mais de duas décadas, tendo liderado o desenvolvimento de hardware de praticamente toda a linha de produtos da Apple nos últimos anos — do iPhone ao Vision Pro, passando pelo Mac e pelo iPad.

    Sua ascensão ao posto de CEO é vista pelo mercado como um sinal de continuidade: diferentemente de uma troca que traria um executivo de fora com uma visão radicalmente nova, a Apple optou por alguém que já conhece profundamente a cultura de engenharia e os processos internos da empresa. Analistas do setor de tecnologia apontam que essa escolha sugere que o conselho da Apple prioriza estabilidade e continuidade de produto em um momento de forte concorrência na corrida por inteligência artificial, área em que a empresa tem sido vista como mais cautelosa que rivais como Google e Samsung.

    Ternus assume a Apple em um momento delicado: a empresa enfrenta pressão de investidores para acelerar sua estratégia de IA, ao mesmo tempo em que precisa sustentar o ritmo de vendas de hardware em mercados maduros, onde o ciclo de troca de aparelhos tem se alongado nos últimos anos.

    Vista aérea do Apple Park, sede da Apple em Cupertino, Califórnia

    Apple Park, a sede da Apple em Cupertino, Califórnia, onde a nova liderança da empresa está baseada. Foto: Wikimedia Commons

    iPhone 18 e o esperado “iPhone Duo”: o que muda

    Poucos dias depois da troca oficial de comando, a Apple realizou seu evento anual de lançamentos, já sob a liderança de John Ternus. O destaque absoluto foi a apresentação do iPhone 18 Pro e, principalmente, do primeiro iPhone dobrável da história da empresa — apelidado nos bastidores e pela imprensa especializada de “iPhone Duo” antes do anúncio oficial do nome comercial.

    O aparelho dobrável é resultado de anos de rumores e especulações. Diferentemente de concorrentes como Samsung, que já está em gerações avançadas de smartphones dobráveis, a Apple optou por esperar até considerar a tecnologia madura o suficiente — tanto em termos de durabilidade da dobradiça quanto de qualidade da tela sem a famosa “vinco” (vincamento visível na dobra) que incomoda usuários de outros modelos dobráveis no mercado.

    Além do modelo dobrável, a linha iPhone 18 Pro trouxe avanços em câmera computacional, processamento de inteligência artificial on-device e autonomia de bateria — áreas em que a Apple vinha sob pressão para acompanhar o ritmo de inovação de rivais asiáticos. O evento também apresentou novidades no Apple Watch Ultra 3, reforçando o ecossistema de wearables da empresa.

    Por que essa mudança interessa ao consumidor brasileiro

    O Brasil é um dos mercados mais importantes da Apple na América Latina, com forte presença de produtos como iPhone, AirPods e Apple Watch entre consumidores de classe média e alta. Mudanças na liderança de uma empresa desse porte tendem a gerar reflexos práticos no médio prazo: desde a velocidade de lançamento de novos recursos até decisões sobre preços, investimentos em varejo local e parcerias com operadoras.

    Historicamente, trocas de CEO em grandes empresas de tecnologia costumam vir acompanhadas de ajustes de estratégia, ainda que graduais. No caso da Apple, o mercado vai observar de perto se Ternus mantém o ritmo conservador e cauteloso de Cook em relação a apostas arriscadas, ou se imprime um estilo mais agressivo de inovação — especialmente na corrida por inteligência artificial, tema que domina as discussões do setor de tecnologia como um todo.

    Para quem pretende comprar um iPhone novo, a chegada do modelo dobrável também deve influenciar o mercado de usados e seminovos no Brasil, com uma possível queda de preços em modelos anteriores à medida que a nova geração ganha as prateleiras — um movimento comum sempre que a Apple lança uma novidade de grande apelo.

    O que esperar da Apple sob a nova gestão

    Especialistas em mercado de tecnologia apontam alguns pontos que devem definir os primeiros meses de Ternus à frente da Apple: a resposta da empresa à concorrência em inteligência artificial generativa, a evolução da Siri (que vem passando por reformulações internas nos últimos anos) e o desempenho comercial do iPhone dobrável em um mercado ainda dominado, em volume, pelos modelos tradicionais com tela única.

    Outro ponto de atenção é a relação da Apple com reguladores em diferentes países, incluindo a União Europeia, onde a empresa já enfrentou processos e exigências de abertura de seu ecossistema fechado. Como Ternus é uma figura mais técnica e menos voltada para relações institucionais do que Cook — que construiu ao longo dos anos uma rede de relacionamento próxima a governos e lideranças mundiais —, resta saber se a Apple vai reforçar sua equipe de relações públicas e institucionais para lidar com esse tipo de desafio.

    De qualquer forma, a companhia chega a este momento de transição em uma posição financeira robusta, com uma base de usuários fiel e um ecossistema de produtos e serviços que segue entre os mais lucrativos do mundo da tecnologia — um patrimônio que Tim Cook deixa como legado para o time que agora assume a missão de escrever o próximo capítulo da Apple.

    Conclusão

    A saída de Tim Cook do comando da Apple marca o fim de uma das gestões mais bem-sucedidas da história da tecnologia, e a chegada de John Ternus abre uma nova fase de expectativas para a empresa, justamente em um momento de lançamento de um dos produtos mais ousados de sua trajetória recente, o iPhone dobrável. Para o consumidor brasileiro, os próximos meses serão importantes para entender como essas mudanças estruturais na cúpula da Apple vão se refletir em produtos, preços e na velocidade de inovação da marca no país e no mundo.

  • Starship rumo à órbita: o que muda no Voo 14 da SpaceX, o teste mais decisivo do foguete de Elon Musk

    Starship rumo à órbita: o que muda no Voo 14 da SpaceX, o teste mais decisivo do foguete de Elon Musk

    Depois de treze voos de teste marcados por explosões espetaculares, acertos parciais e uma escalada constante de sofisticação técnica, a SpaceX está a poucos dias de tentar algo que nunca fez antes: colocar o Starship, o maior e mais poderoso foguete já construído, em órbita completa da Terra. O chamado Voo de Teste 14 tem janela de lançamento prevista entre os dias 18 e 22 de setembro de 2026, a partir da base de Starbase, no Texas, e representa uma virada de página no programa espacial mais ambicioso da empresa de Elon Musk.

    Até agora, todas as tentativas de voo do Starship seguiram trajetórias suborbitais — decolam, sobem, fazem uma volta parcial ao redor do planeta e caem de novo, geralmente no oceano. O Voo 14 é diferente: pela primeira vez, a SpaceX vai tentar acelerar a nave até a velocidade orbital plena, de aproximadamente 7,8 km/s (cerca de 17.500 mph), o suficiente para ela permanecer em órbita em vez de simplesmente “cair de volta” após um arco balístico.

    Para o público brasileiro que acompanha o setor espacial — seja por curiosidade científica, seja porque empresas de telecomunicações e internet por satélite (como a própria rede Starlink) já operam no país — este lançamento é um marco que vale a pena entender em detalhes: o que exatamente vai acontecer, por que é tão difícil, e o que muda a partir de agora.

    Vista do complexo de Starbase, no Texas, com foguetes Starship e o booster Super Heavy visíveis no chamado 'Jardim de Foguetes'

    Vista de Starbase, no Texas, base de operações da SpaceX para o programa Starship. Foto: Jenny Hautmann / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

    O que é o Starship e por que ele é tão importante

    O Starship é um sistema de lançamento composto por duas partes: o booster Super Heavy, o estágio inferior que fornece o empuxo inicial, e a nave Starship propriamente dita, que fica no topo e é a parte que efetivamente vai ao espaço. Juntos, os dois estágios somam quase 122 metros de altura — mais alto que a Estátua da Liberdade com seu pedestal — e geram, no lançamento, um empuxo estimado em cerca de 7.590 toneladas-força.

    Para colocar esse número em perspectiva: é aproximadamente 1,9 vez o empuxo do foguete SLS, o veículo atual do programa Artemis da NASA, e cerca de 2,2 vezes a potência do histórico Saturno V, que levou astronautas à Lua nos anos 1960 e 1970. Também supera o Falcon Heavy, o “irmão mais velho” da própria SpaceX, e o extinto ônibus espacial americano. O único concorrente histórico em empuxo bruto é o N1 soviético — um foguete lunar que nunca chegou a funcionar com sucesso nos anos 1960 e 1970, e que, segundo o próprio Elon Musk, serviu de inspiração parcial para o design do Starship.

    A diferença central em relação a foguetes tradicionais é o conceito de reutilização total. Enquanto a maioria dos lançadores descarta partes de si mesmos no oceano ou os deixa se desintegrar na atmosfera, a meta do Starship é que tanto o booster quanto a nave superior sejam recuperados, inspecionados e reaproveitados em novos voos — de forma parecida com o que a SpaceX já faz, em menor escala, com os boosters do foguete Falcon 9.

    A configuração do Voo 14: o que muda desta vez

    O veículo que deve decolar entre 18 e 22 de setembro é composto pelo booster Super Heavy número 21, já na versão “Block 3”, equipado com 33 motores Raptor 3, e pela nave Ship 41, também Block 3, que usa uma configuração de seis motores Raptor Vacuum otimizados para operar no vácuo do espaço. Ambos os veículos passaram por testes de disparo estático nas semanas anteriores ao lançamento: a Ship 41 foi testada nos dias 19 e 21 de agosto, e o Booster 21 completou uma queima estática total em 28 de agosto.

    Diferente dos voos suborbitais anteriores, o Voo 14 vai tentar, durante a fase de “coasting” (quando a nave já está em órbita e desliga os motores temporariamente), liberar uma carga de satélites Starlink de nova geração — a versão V3, ainda mais avançada que os modelos atuais. As estimativas de diferentes fontes variam entre 20 e 26 satélites nesta missão específica.

    Esses satélites V3 são significativamente maiores e mais capazes do que a geração atual: cada unidade pesa cerca de 2.000 kg e tem capacidade de downlink (dados baixados para os usuários) superior a 1 terabit por segundo, com uplink acima de 200 gigabits por segundo. Hoje a constelação Starlink já opera com mais de 11 mil satélites em órbita, e a SpaceX estima que cada missão bem-sucedida do Starship poderá adicionar até 60 terabits por segundo de capacidade total à rede — um salto considerável frente ao que o Falcon 9 consegue entregar por lançamento.

    Booster Super Heavy do Starship durante testes na base da SpaceX no Texas

    O booster Super Heavy, estágio inferior do Starship, durante testes em Starbase. Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

    O que NÃO vai acontecer neste voo: a captura pela torre

    Um dos objetivos mais ambiciosos do programa Starship é a recuperação do booster e da nave usando os braços mecânicos da torre de lançamento, batizados de “Mechazilla” — uma técnica que, se bem-sucedida de forma consistente, reduziria drasticamente o custo e o tempo de preparação entre voos. Essa tentativa de “pegar” a nave diretamente com a torre, porém, não vai ocorrer no Voo 14: a SpaceX decidiu adiar esse teste específico para uma missão futura, projetada por Musk para acontecer meses depois — possivelmente no final de 2026 ou já em 2027.

    Isso significa que, mesmo que o Voo 14 seja bem-sucedido em atingir órbita, o pouso e a recuperação de booster e nave provavelmente ainda vão seguir o padrão de splashdown controlado no oceano, como ocorreu nos testes suborbitais mais recentes.

    O escudo térmico: o problema que travou o programa por anos

    Uma das partes mais delicadas de qualquer veículo espacial reutilizável é o escudo térmico — o conjunto de telhas cerâmicas que protege a estrutura metálica do calor extremo gerado na reentrada atmosférica, quando o veículo desacelera de velocidades orbitais até o pouso. Ao longo dos primeiros treze voos, esse foi um dos pontos mais problemáticos do Starship, com telhas se desprendendo, danos estruturais e, em alguns casos, perda total do veículo.

    Durante uma teleconferência de resultados da SpaceX em 4 de agosto de 2026, Elon Musk fez uma declaração que resume o otimismo da empresa em relação a esse desafio específico: “Eu diria que considero o problema do escudo térmico resolvido neste ponto.” É uma afirmação forte, vinda de quem, historicamente, também já subestimou prazos e desafios técnicos do programa — mas que reflete o volume de dados coletados nos testes suborbitais mais recentes, em que a nave sobreviveu intacta a reentradas cada vez mais extremas.

    O caminho até aqui: do primeiro voo, em 2023, à véspera da órbita

    Vale relembrar a trajetória do programa para entender a magnitude do que está em jogo agora. O primeiro voo de teste integrado do Starship ocorreu em 20 de abril de 2023, partindo de Starbase, na região de Boca Chica, no Texas. Foi um voo dramático e de curtíssima duração: menos de quatro minutos após a decolagem, com três motores falhando já na subida e o sistema de terminação de voo tendo que ser acionado depois que a SpaceX perdeu o controle vetorial do veículo a cerca de 39 km de altitude. Ainda assim, mesmo com a falha, o feito de erguer do solo o foguete mais poderoso já voado — superando um recorde que pertencia ao soviético N1 havia cinco décadas — foi celebrado por autoridades espaciais, incluindo o então administrador da NASA, Bill Nelson.

    Nos anos seguintes, cada novo voo trouxe avanços incrementais: motores mais confiáveis, reentradas mais controladas, splashdowns mais precisos. O Voo 13, realizado em 24 de julho de 2026, é um bom retrato desse progresso misto. Depois de uma tentativa abortada em 16 de julho (por falha de ignição em quatro motores Raptor), o voo de 24 de julho decolou às 17h51 (horário do leste americano) e teve resultados parciais: todos os seis motores da nave superior funcionaram bem durante a subida, e ela liberou 20 satélites Starlink de terceira geração antes de completar uma reentrada considerada um marco — a primeira vez que a estrutura permaneceu intacta após um splashdown “dramático” no Oceano Índico, cerca de 1h05 após o lançamento. Já o booster Super Heavy teve um desempenho mais irregular: dos 13 motores planejados para a queima de descida, apenas 10 reacenderam, e só 5 ainda estavam funcionando no momento do impacto na água, no Golfo do México, resultando em uma velocidade de queda maior que a planejada, embora ainda dentro da área-alvo.

    O que está em jogo: Starlink, Lua e o futuro do transporte espacial

    O sucesso ou fracasso do Voo 14 tem implicações que vão muito além de um simples teste de engenharia. A capacidade de colocar o Starship em órbita de forma confiável é o que vai permitir à SpaceX expandir a rede Starlink com satélites maiores e mais capazes, potencialmente melhorando a qualidade e a velocidade da internet via satélite oferecida a usuários — inclusive no Brasil, onde a Starlink já opera comercialmente em áreas rurais e remotas.

    Há também a dimensão lunar do programa. Uma versão especializada do Starship, batizada de Starship HLS (Human Landing System), é o módulo de pouso escolhido pela NASA para levar astronautas de volta à superfície da Lua na missão Artemis III. Nesse ponto, porém, o quadro é mais desafiador: o GAO, órgão de fiscalização e auditoria do governo americano, já apontou que a SpaceX enfrenta atrasos superiores a um ano em marcos-chave necessários para certificar o veículo lunar, e reportagens recentes indicam que a própria NASA já trabalha com a expectativa de um novo adiamento da missão. Ou seja: mesmo que o Voo 14 seja um sucesso retumbante rumo à órbita terrestre, o caminho até um pouso lunar tripulado ainda envolve etapas adicionais e prazos incertos.

    No horizonte mais distante — e aqui entramos no terreno das ambições de longo prazo declaradas pela SpaceX e por Musk — está o objetivo final do programa: viabilizar viagens tripuladas a Marte. Isso depende diretamente de dominar tecnologias como reabastecimento em órbita, reutilização rápida entre voos e produção em escala industrial de foguetes — todas elas testadas, em graus variados, nesta nova fase orbital do programa.

    Aprovação regulatória: por que a data do lançamento ainda pode mudar

    Um detalhe técnico-burocrático, mas relevante, é que a data exata do lançamento depende da aprovação de duas agências reguladoras americanas. A Comissão Federal de Comunicações (FCC) precisa autorizar o uso da faixa de telemetria entre 2200 e 2290 MHz para acompanhar o voo, e a Administração Federal de Aviação (FAA) precisa dar sinal verde para o perfil de voo orbital — uma revisão mais complexa do que as autorizações concedidas para os voos suborbitais anteriores, já que agora existe, pela primeira vez, a possibilidade real de destroços ou fragmentos re-entrarem em áreas povoadas caso algo dê errado depois de o veículo atingir velocidade orbital.

    Por isso, a janela de lançamento vem sendo ajustada nos últimos dias: pedidos iniciais indicavam uma data “não antes de” 15 de setembro, mas informações mais recentes apontam para 18 ou 22 de setembro como as datas mais prováveis, dependendo de quando as aprovações finais forem emitidas.

    Como acompanhar o lançamento

    Assim como nos voos anteriores, a SpaceX deve transmitir o lançamento do Voo 14 em tempo real por seus canais oficiais, incluindo o site da empresa e suas redes sociais, com cobertura de especialistas comentando cada etapa da missão — da decolagem à separação dos estágios, da liberação dos satélites Starlink até a fase final de reentrada e splashdown de booster e nave. Para quem acompanha o setor espacial, esta é uma daquelas ocasiões em que vale a pena reservar um horário para assistir ao vivo: independentemente do resultado, um voo orbital do maior foguete já construído é, por si só, um evento histórico.

    Se o Voo 14 confirmar as expectativas da SpaceX, o Starship deixará de ser apenas um experimento espetacular de engenharia e passará a operar como uma peça funcional da infraestrutura espacial global — capaz de expandir redes de internet por satélite, sustentar futuras missões lunares e, quem sabe, lançar as bases para a próxima fase da exploração espacial rumo a Marte. Mas, como a própria história recente do programa mostra, cada etapa dessa jornada tem vindo acompanhada de contratempos técnicos, atrasos regulatórios e aprendizados feitos, muitas vezes, da forma mais visível e espetacular possível: em pleno voo.

  • Emmy 2026: “The Pitt” arrasa, Michael J. Fox emociona e Academia admite recuo na diversidade

    Emmy 2026: “The Pitt” arrasa, Michael J. Fox emociona e Academia admite recuo na diversidade

    A noite de 14 de setembro de 2026 já entra para a história recente da televisão americana. No Peacock Theater, em Los Angeles, a 78ª cerimônia do Emmy Awards reuniu os nomes mais fortes da TV para uma edição marcada por recordes, um discurso emocionante e também por uma autocrítica pública rara vinda da própria Academia de Televisão. O resultado foi uma cerimônia que, ao mesmo tempo, celebrou o auge de uma série médica revelação e expôs tensões antigas sobre representatividade em Hollywood.

    Comandada pela atriz Mariska Hargitay — famosa por interpretar a detetive Olivia Benson em “Law & Order: SVU” —, a premiação teve um formato especial: foi a primeira vez desde 2011 que uma mulher apresentou sozinha o Emmy, e a primeira desde Angela Lansbury, em 1993, em que a mestre de cerimônias não vem da comédia. A escolha simbolizou bem o tom da noite, que misturou solenidade, memória afetiva e debate sobre os rumos da indústria.

    Neste artigo, reunimos os principais vencedores, o momento mais comovente da cerimônia — a homenagem a Michael J. Fox — e a polêmica que já viralizou entre profissionais do audiovisual: a admissão da Academia de que a diversidade entre os indicados recuou nesta edição.

    Michael J. Fox em evento público, ator homenageado no Emmy 2026 com o Prêmio Humanitário Bob Hope

    Michael J. Fox, autor de uma das cenas mais emocionantes da noite. Foto: Wikimedia Commons

    “The Pitt” confirma domínio absoluto no drama televisivo

    Se havia dúvida sobre quem seria a grande protagonista da noite, ela se dissipou cedo. A série médica “The Pitt”, exibida pela HBO Max, repetiu o feito do ano anterior e faturou o Emmy de Melhor Série de Drama pela segunda temporada consecutiva. O desempenho da produção impressiona pela escalada: se na primeira temporada a série já havia surpreendido com 13 indicações, desta vez chegou à cerimônia com 25, quase o dobro, confirmando-se como um dos fenômenos mais consistentes da TV americana nos últimos dois anos.

    O protagonista Noah Wyle, que interpreta o médico central da trama, repetiu a boa fase do elenco e venceu, também pela segunda vez seguida, o Emmy de Melhor Ator em Série de Drama pelo mesmo papel — um feito que reforça o quanto “The Pitt” conseguiu construir um personagem que dialoga com o público e com os votantes da Academia. Wyle, que é um rosto conhecido do público desde os tempos de “ER — Plantão Médico”, nos anos 1990, parece ter encontrado em “The Pitt” uma espécie de segundo grande capítulo de carreira, agora como protagonista absoluto e premiado.

    Do lado feminino do drama, quem levou a estatueta foi Rhea Seehorn, reconhecida por “Better Call Saul” e agora premiada por seu trabalho em “Pluribus”, confirmando a boa recepção crítica que a atriz vem acumulando nos últimos anos em papéis de protagonista.

    Noah Wyle, ator vencedor do Emmy de Melhor Ator em Série de Drama por The Pitt

    Noah Wyle venceu pela segunda vez consecutiva o Emmy de Melhor Ator em Série de Drama. Foto: Wikimedia Commons

    Comédia: “Hacks” bate recorde de indicações e Jean Smart mira marca histórica

    Na categoria de comédia, “Hacks” foi a grande vencedora da noite ao levar o Emmy de Melhor Série de Comédia, coroando uma temporada em que a produção também bateu um recorde histórico: nunca uma série de comédia havia recebido tantas indicações em uma única edição do prêmio, totalizando 24 indicações ao todo.

    Jean Smart, protagonista da série no papel da comediante veterana Deborah Vance, venceu novamente como Melhor Atriz de Comédia. O triunfo a coloca em um patamar raríssimo na história do Emmy: ela se junta a um grupo seleto de atrizes — como Julia Louis-Dreyfus e Cloris Leachman — que somam oito estatuetas ao longo da carreira, um marco que reforça o status de Smart como uma das intérpretes mais premiadas da televisão americana na atualidade.

    Já entre os homens, o Emmy de Melhor Ator de Comédia ficou com Matthew Rhys, por “Widow’s Bay” — curiosamente, o mesmo ator também foi reconhecido horas antes na categoria de minissérie, por “The Beast in Me”, o que fez dele um dos nomes mais comentados da noite, com dois prêmios de atuação em categorias diferentes.

    Jean Smart, atriz vencedora do Emmy de Melhor Atriz de Comédia por Hacks

    Jean Smart se aproxima do recorde histórico de Emmys vencidos por uma mesma atriz. Foto: Wikimedia Commons

    Minisséries, reality shows e programas de auditório

    Fora das categorias mais badaladas de drama e comédia, a noite também consagrou nomes conhecidos do público. Na minissérie, o grande vencedor foi “DTF St. Louis”, enquanto Sally Field levou a estatueta de Melhor Atriz de Minissérie — mais um reconhecimento tardio, porém merecido, para uma das atrizes mais respeitadas de Hollywood.

    Entre os realities de competição, “The Traitors” — formato que mistura estratégia, traição e sobrevivência social e que conquistou público fiel ao redor do mundo, incluindo o Brasil, onde tem versão local — foi eleito o melhor da categoria. Já entre os programas de auditório e late night, “The Late Show with Stephen Colbert” levou a melhor na categoria de Programa de Variedades, mantendo a tradição do late night americano como um dos gêneros mais competitivos da televisão.

    A Academia também estreou nesta edição o Legacy Award, primeiro grande prêmio novo criado em cerca de duas décadas, sinalizando a intenção de reconhecer contribuições de longo prazo de profissionais e produções para a história da TV.

    O momento mais emocionante: a homenagem a Michael J. Fox

    Se os prêmios de atuação e série movimentaram a plateia, foi outro instante que arrancou aplausos de pé e emocionou quem acompanhava a transmissão: a entrega do Prêmio Humanitário Bob Hope a Michael J. Fox, reconhecendo suas contribuições à pesquisa e à conscientização sobre o Mal de Parkinson.

    Fox, ícone de “De Volta para o Futuro”, foi diagnosticado com a doença ainda jovem, em 1995, e por anos evitou expor publicamente sua condição, temendo o impacto que isso teria em sua carreira. Décadas depois, tornou-se um dos rostos mais conhecidos globalmente na defesa da pesquisa sobre Parkinson, muito através da fundação que leva seu nome, hoje uma das maiores financiadoras privadas de pesquisas sobre a doença nos Estados Unidos.

    No palco do Emmy, em sua primeira aparição na premiação em mais de uma década, Fox discursou sobre conviver com a doença sem tratar o diagnóstico como uma rendição, e falou sobre os avanços que considera cada vez mais próximos de uma cura. A plateia, composta por colegas de indústria de gerações diferentes, reagiu com uma longa ovação — um dos raros momentos em premiações do tipo em que o silêncio emocionado toma conta do salão antes dos aplausos.

    A autocrítica da Academia: recuo na diversidade dos indicados

    Nem tudo, porém, foi só celebração. Um dos pontos que mais repercutiu após a cerimônia foi a declaração pública do presidente da Television Academy, Cris Abrego, admitindo que a instituição “deu um passo para trás” no quesito diversidade nesta edição.

    Os números sustentam a autocrítica: apenas 22 indicados não brancos ou internacionais figuraram entre os concorrentes desta edição, a menor marca em 15 anos e uma queda de 21% em relação ao ano anterior — bem menos da metade dos 49 indicados não brancos registrados em 2021, ano até então tomado como referência de avanço na representatividade do prêmio. Na noite da cerimônia, nenhum ator não branco venceu nas categorias de atuação, e o ator Colman Domingo foi o único nome não branco indicado mais de uma vez.

    A crítica ganhou ainda mais peso porque partiu da própria cúpula da Academia, em vez de vir apenas de fora da indústria — o que tem sido lido por comentaristas do setor como um sinal de que o tema deve pautar debates internos nos próximos ciclos de premiação. Somando-se a isso, sindicatos que representam diretores, roteiristas e atores (DGA, WGA e SAG-AFTRA) também criticaram a Academia por reduzir o número de categorias transmitidas ao vivo — de 26 para 19 —, com cinco delas movidas para a cerimônia paralela de Creative Arts, entregue dias antes.

    Mariska Hargitay, apresentadora da cerimônia do Emmy Awards 2026

    Mariska Hargitay apresentou a cerimônia, marcando o retorno de uma mulher ao comando do Emmy após 15 anos. Foto: Wikimedia Commons

    O que essa edição do Emmy diz sobre o momento da TV

    Colocando os fatos lado a lado, a edição de 2026 do Emmy conta uma história de contrastes. De um lado, a consolidação de “The Pitt” como fenômeno de streaming — prova de que séries médicas ainda têm fôlego criativo e comercial quando bem executadas — e de “Hacks” como uma das comédias mais aclamadas da década, ao lado da consagração histórica de Jean Smart. De outro, um debate legítimo sobre representatividade que a própria Academia reconheceu publicamente, em vez de simplesmente ignorar.

    Para o público brasileiro, que tem acesso à maior parte dessas produções via streaming — “The Pitt” e “Hacks” estão disponíveis na HBO Max, por exemplo —, a repercussão da noite também é um lembrete de como as plataformas de streaming têm remodelado o que costumava ser um evento quase exclusivamente voltado às emissoras tradicionais americanas. Cada vez mais, o Emmy reflete hábitos de consumo que já são familiares para quem assiste séries por aqui: maratonas, lançamentos simultâneos e um catálogo internacional que aproxima o espectador brasileiro do calendário de premiações de Hollywood quase em tempo real.

    Conclusão

    O Emmy 2026 vai ficar marcado por essa combinação pouco comum: recordes de indicações, uma dobradinha histórica para “The Pitt” e Noah Wyle, uma nova marca para Jean Smart, um discurso emocionante de Michael J. Fox e, ao mesmo tempo, um raro momento de autocrítica pública da Academia sobre diversidade. São elementos que, juntos, mostram uma indústria em transformação — tentando equilibrar celebração e responsabilidade — e que devem seguir pautando a conversa sobre televisão nas próximas semanas, tanto nos Estados Unidos quanto entre o público brasileiro que acompanha de perto essas produções.

  • Rock in Rio 2026 termina: os bastidores, os números e por que o festival continua parando o Brasil

    Rock in Rio 2026 termina: os bastidores, os números e por que o festival continua parando o Brasil

    O pó da Cidade do Rock ainda não assentou direito e as redes sociais brasileiras já viraram um mural de memórias: vídeos de coro em uníssono, fotos de fantasias, reencontros de amigos que só se veem “de dois em dois anos” e aquele inevitável ranking de “melhor show da edição”. O Rock in Rio 2026 encerrou sua programação na véspera deste artigo, depois de dez dias de shows espalhados por múltiplos palcos no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, e deixou atrás de si um dos maiores fenômenos de mobilização cultural que o Brasil produz.

    Criado em 1985 por Roberto Medina, o festival nasceu como uma aposta ousada: trazer o rock internacional de primeira linha para dentro de um país que, na época, ainda vivia sob resquícios de censura e isolamento cultural. Mais de quatro décadas depois, o evento se tornou uma marca global, com edições replicadas em Lisboa e Madri, e uma capacidade de atrair públicos que hoje vão muito além do rock — pop, sertanejo, funk, eletrônica e rap dividem o mesmo terreno que outrora foi território quase exclusivo de bandas de guitarra.

    Neste texto, reunimos o que há de mais relevante sobre esta edição: como foi a experiência de quem esteve lá, quais foram os destaques de line-up, a dimensão econômica e turística que o festival representa para o Rio de Janeiro, e por que o Rock in Rio continua sendo, mesmo em um cenário saturado de festivais de música mundo afora, um evento que ainda consegue parar o país por dez dias.

    Uma década de reinvenção: da Cidade do Rock ao Parque Olímpico

    Quem acompanha o festival desde suas primeiras edições viu uma transformação geográfica e estrutural significativa. As edições fundadoras aconteceram no Jacarepaguá, em uma arena erguida especialmente para o evento, batizada de Cidade do Rock. Depois de hiatos e mudanças de local ao longo dos anos 2000, a organização consolidou a atual Cidade do Rock no Parque Olímpico, reaproveitando parte da infraestrutura construída para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio em 2016.

    Essa escolha logística trouxe vantagens práticas: acesso facilitado por transporte público, maior capacidade de público e uma área ampla o suficiente para acomodar múltiplos palcos simultâneos sem que um show interfira no som do outro — um desafio técnico e de engenharia acústica que a produção do festival vem aprimorando a cada edição.

    Além do Palco Mundo, o principal e maior deles, o festival mantém espaços dedicados a gêneros específicos, como o Palco Sunset (mais voltado a shows de pôr do sol e sonoridades alternativas) e áreas temáticas de entretenimento que vão além da música, incluindo brinquedos radicais, praça de alimentação com opções regionais e instalações interativas patrocinadas por marcas parceiras.

    Entrada do público em uma edição do Rock in Rio

    Foto: Wikimedia Commons

    Os destaques musicais que marcaram esta edição

    Como em qualquer edição do festival, o line-up de 2026 misturou nomes internacionais consagrados com artistas nacionais que representam diferentes gerações e gêneros da música brasileira. A curadoria do Rock in Rio historicamente busca esse equilíbrio: atrair um público internacional de turistas e ao mesmo tempo funcionar como vitrine para a produção musical brasileira contemporânea.

    Esse formato de “vários dias, vários públicos” é parte do que torna o festival tão comentado nas redes sociais logo depois do encerramento: cada dia teve seu próprio clima, sua própria audiência predominante e seus próprios memes. Fãs de rock clássico, de pop internacional, de sertanejo universitário e de funk carioca encontraram, cada um em sua noite, motivos para fazer do Rock in Rio parte do calendário anual de idas a shows.

    Vale destacar também o papel cada vez maior da tecnologia nos shows: telões de alta definição, efeitos de pirotecnia sincronizados, drones formando desenhos no céu e transmissões ao vivo para quem não conseguiu ingresso se tornaram parte esperada da experiência, tanto quanto o próprio repertório musical.

    O impacto econômico para o Rio de Janeiro

    Para além do aspecto musical, o Rock in Rio funciona como um motor econômico temporário, mas de peso considerável, para a cidade que o sedia. Hotéis, pousadas e opções de hospedagem por aplicativo costumam registrar taxas de ocupação elevadas durante o período do festival, impulsionadas tanto por turistas de outros estados quanto por visitantes estrangeiros que organizam viagens específicas para acompanhar as atrações.

    O comércio local também sente o efeito: bares, restaurantes e transporte por aplicativo na região da Barra da Tijuca e arredores registram aumento expressivo de demanda. Motoristas de aplicativo, ambulantes autorizados e prestadores de serviços de logística fazem do período do festival uma das janelas mais lucrativas do calendário anual.

    Esse tipo de evento também gera empregos temporários em larga escala — segurança, limpeza, montagem de estruturas, atendimento ao público — mobilizando milhares de trabalhadores por um período curto, mas intenso, o que reforça o argumento de que grandes festivais funcionam como um setor econômico próprio dentro da indústria do entretenimento.

    Área de convivência e comércio dentro do festival Rock in Rio

    Foto: Wikimedia Commons

    Sustentabilidade e os bastidores da logística

    Organizar um evento do porte do Rock in Rio exige uma operação logística comparável à de uma pequena cidade temporária. Água, energia, saneamento, coleta de lixo e segurança precisam ser planejados para suportar dezenas de milhares de pessoas por dia, durante vários dias seguidos, sem comprometer a experiência do público nem a segurança dos frequentadores.

    Nos últimos anos, a organização do festival tem dado atenção crescente a pautas de sustentabilidade: programas de reciclagem dentro do recinto, incentivo ao uso de copos reutilizáveis e parcerias para compensação de carbono fazem parte do discurso institucional do evento, ainda que o desafio de reduzir o impacto ambiental de um festival dessa magnitude continue sendo um processo contínuo, e não um problema resolvido de uma vez.

    A segurança também é um capítulo à parte: revistas na entrada, monitoramento por câmeras, pontos de atendimento médico espalhados pelo recinto e protocolos específicos para dias de chuva ou calor extremo fazem parte do planejamento que raramente aparece nos vídeos que viralizam, mas que sustentam a experiência que o público vê no palco.

    Por que o Rock in Rio continua relevante em um mercado de festivais saturado

    O mercado global de festivais de música está mais competitivo do que nunca. Encontrar espaço em meio a uma agenda internacional lotada de eventos concorrentes exige que o Rock in Rio se reinvente constantemente, seja na curadoria de atrações, seja na experiência oferecida ao público fora dos palcos.

    Um dos trunfos do festival é justamente sua identidade brasileira: mesmo replicado internacionalmente, o Rock in Rio carrega um jeito de organizar público, comércio e energia de plateia que é reconhecidamente carioca, um diferencial que dificilmente outros festivais internacionais conseguem replicar com a mesma naturalidade.

    Além disso, o festival soube se adaptar ao consumo digital de música e entretenimento: em vez de resistir à cultura de clipes curtos e transmissões ao vivo, a organização passou a incorporar esse comportamento, criando conteúdo pensado especificamente para viralizar nos primeiros dias após cada apresentação, o que ajuda a manter o assunto em alta muito depois de as luzes dos palcos se apagarem.

    O que esperar das próximas edições

    Encerrada mais uma edição, a expectativa do público já se volta para o futuro: quais artistas poderão retornar, quais novidades estruturais serão incorporadas e como o festival vai continuar equilibrando tradição — afinal, o Rock in Rio é uma instituição cultural brasileira há mais de quarenta anos — com a necessidade de se manter atual para gerações mais jovens de frequentadores.

    Esse ciclo de expectativa, realização e nostalgia é, talvez, o verdadeiro motor por trás do sucesso duradouro do festival: mais do que shows isolados, o Rock in Rio vende a promessa de uma experiência coletiva que uma cidade inteira — e boa parte do país — para para acompanhar, ainda que seja apenas pelas telas do celular.

    Enquanto a poeira da Cidade do Rock assenta e os primeiros retrospectos em vídeo tomam conta dos feeds, uma coisa é certa: seja pela dimensão musical, pelo impacto econômico ou pelo simples prazer de reunir multidões em torno de uma experiência compartilhada, o Rock in Rio segue sendo um dos eventos mais emblemáticos do calendário cultural brasileiro — e sua próxima edição já começa a ser aguardada.

  • Elton John se despede do Brasil em show histórico no Rock in Rio 2026

    Elton John se despede do Brasil em show histórico no Rock in Rio 2026

    No dia 8 de setembro, a Cidade do Rock, na Barra da Tijuca, viveu um daqueles momentos que ficam gravados na memória afetiva de quem estava lá — e de quem acompanhou pela internet. Elton John, aos 79 anos, subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio 2026 para o que muitos fãs já tratam como sua última apresentação em solo brasileiro, dentro da turnê de despedida dos palcos que o músico britânico vem conduzindo nos últimos anos. Piano, óculos extravagantes, décadas de clássicos e uma plateia que cantou cada verso: o show reuniu tudo o que fez de Elton John um dos artistas mais importantes da música pop moderna.

    O Rock in Rio, maior festival de música da América Latina, sempre teve um talento especial para transformar apresentações em acontecimentos culturais que ultrapassam o universo da música. Com Elton John dividindo a grade de 2026 com nomes como Stray Kids e Maroon 5, a edição deste ano reforçou o festival como uma vitrine de gerações e públicos diferentes — do k-pop ao rock clássico, do pop contemporâneo às baladas que embalaram os anos 1970 e 1980.

    Neste artigo, contamos como foi a despedida de Elton John no Brasil, revisitamos a trajetória do artista e do próprio Rock in Rio, e explicamos por que esse tipo de show de encerramento de carreira costuma ser tão especial — tanto para quem esteve na Cidade do Rock quanto para quem só acompanhou os registros e relatos depois.

    Elton John se apresentando ao piano em um show

    Elton John em apresentação ao vivo. Foto: Wikimedia Commons

    Uma despedida anunciada: a “Farewell Yellow Brick Road Tour”

    A passagem de Elton John pelo Rock in Rio 2026 não foi um show avulso — ela é parte de um processo de despedida dos palcos que o artista vem anunciando há alguns anos, batizado de “Farewell Yellow Brick Road Tour” em referência a um de seus álbuns mais icônicos, “Goodbye Yellow Brick Road”, de 1973. Depois de décadas de turnês ao redor do mundo, Elton optou por reduzir o ritmo de apresentações ao vivo, tornando cada show remanescente um evento com peso simbólico ainda maior.

    Esse tipo de despedida prolongada tem se tornado comum entre grandes nomes da música que construíram carreiras de décadas: em vez de um anúncio repentino de aposentadoria, o artista faz uma turnê de encerramento que passa por diferentes países, dando a fãs de várias partes do mundo a chance de assistir a uma última apresentação ao vivo. Para o público brasileiro, a presença de Elton John no Rock in Rio representou exatamente isso — uma oportunidade talvez única de vê-lo pessoalmente, depois de décadas de canções que atravessaram gerações.

    O que o show trouxe de especial

    Relatos da apresentação e cobertura da imprensa especializada descrevem um show emocionalmente carregado, com o próprio Elton John fazendo comentários pessoais ao longo do set sobre a relação de sua carreira com o público brasileiro. O repertório passeou por clássicos que atravessaram décadas, misturando canções mais dançantes com baladas ao piano — o instrumento que sempre foi a marca registrada de suas apresentações ao vivo.

    A trajetória de Elton John: do Reino Unido ao mundo

    Nascido em Pinner, na Inglaterra, Reginald Kenneth Dwight construiu ao longo de mais de cinco décadas uma das carreiras mais duradouras e influentes da música popular. Sob o nome artístico Elton John, ele se consolidou como compositor, pianista e intérprete a partir do final dos anos 1960 e início dos anos 1970, período em que lançou álbuns que se tornariam referência do rock e do pop, com parcerias de composição marcantes ao longo de sua carreira, sobretudo com o letrista Bernie Taupin.

    Ao longo das décadas seguintes, Elton John se reinventou diversas vezes, acompanhando mudanças no cenário musical sem nunca abandonar sua identidade central: canções melódicas, arranjos ricos e uma presença de palco extravagante, com figurinos, óculos e adereços que se tornaram parte da sua identidade visual tanto quanto sua voz e seu piano. Essa combinação de talento musical e senso de espetáculo ajudou a transformar seus shows em experiências que vão muito além de uma simples apresentação musical.

    Reconhecimento e influência duradoura

    Ao longo da carreira, Elton John recebeu diversos prêmios e reconhecimentos internacionais na área musical, além de ter se tornado uma referência para gerações posteriores de artistas pop e rock. Sua influência é sentida tanto em compositores que citam seu trabalho como inspiração quanto em produções audiovisuais — filmes, documentários e homenagens — que revisitam sua trajetória e a colocam como parte fundamental da história da música popular das últimas décadas.

    Rock in Rio: o palco que virou tradição brasileira

    Criado em 1985, o Rock in Rio nasceu no Rio de Janeiro como um festival ambicioso para os padrões da época e rapidamente se tornou um fenômeno cultural. Ao longo das edições seguintes, o evento expandiu-se para outros países, mas manteve o Rio de Janeiro como sua casa simbólica, com a Cidade do Rock recebendo, a cada nova edição, estruturas cada vez mais elaboradas de palco, som e experiência para o público.

    Entrada da Cidade do Rock durante uma edição do Rock in Rio

    Entrada da Cidade do Rock em uma edição do Rock in Rio. Foto: Wikimedia Commons

    O que diferencia o Rock in Rio de muitos outros grandes festivais é justamente sua capacidade de misturar gêneros musicais distintos em uma mesma grade de programação, atraindo públicos variados para o mesmo espaço físico ao longo de vários dias. Rock, pop, música eletrônica, hip-hop, k-pop e até apresentações mais intimistas de artistas consagrados dividem o mesmo festival, o que ajuda a explicar por que o evento consegue reunir centenas de milhares de pessoas a cada edição.

    Uma vitrine de gerações em 2026

    A edição de 2026 do Rock in Rio ilustrou bem essa mistura de públicos: enquanto Elton John representava um pedaço da história da música que atravessou mais de cinco décadas, atrações como o grupo sul-coreano Stray Kids trouxeram para a Cidade do Rock uma legião de fãs mais jovens, movimentados pelo fenômeno global do k-pop. Já o Maroon 5, banda norte-americana de pop-rock, ocupou um espaço intermediário, atraindo tanto público mais jovem quanto ouvintes que acompanham a carreira do grupo desde os anos 2000.

    Essa convivência de gerações e estilos diferentes em um mesmo evento é, para muitos observadores da indústria musical, um dos principais motivos do sucesso contínuo do Rock in Rio ao longo de décadas: o festival não se fecha em um único nicho, e isso amplia constantemente sua base de público e sua relevância cultural no Brasil e fora dele.

    Artista se apresentando no palco do Rock in Rio para o público

    Apresentação no palco do Rock in Rio, festival conhecido por reunir públicos de diferentes gerações. Foto: Wikimedia Commons

    Por que despedidas de grandes artistas mexem tanto com o público

    Shows de despedida carregam um peso emocional diferente de apresentações regulares de turnê. Para o público, existe a consciência de estar testemunhando algo irrepetível — não apenas mais uma data de show, mas possivelmente a última chance de ver ao vivo um artista que acompanhou momentos importantes da própria vida, seja pela trilha sonora de uma década, seja por lembranças pessoais associadas a canções específicas.

    Esse fenômeno não é exclusivo de Elton John. Nos últimos anos, uma série de artistas veteranos optou por conduzir turnês de despedida como forma de fechar ciclos de carreira de maneira controlada, permitindo que fãs de diferentes países tenham a oportunidade de se despedir pessoalmente. Esse movimento também reflete uma mudança na forma como a indústria da música lida com carreiras muito longas: em vez de um encerramento abrupto, a despedida se transforma em um processo, quase uma celebração prolongada, que se estende por meses ou até anos de shows.

    O papel das redes sociais nesse tipo de evento

    Vale destacar também como memes, vídeos e comentários nas redes sociais amplificam o alcance desses shows para muito além de quem estava fisicamente presente. Trechos de apresentações, reações do público e comentários dos próprios artistas no palco circulam rapidamente depois do evento, fazendo com que uma despedida como a de Elton John no Rock in Rio se torne assunto discutido por pessoas que nunca compraram um ingresso para o festival, mas acompanham a repercussão online nos dias seguintes.

    O que esperar dos próximos capítulos

    Com a passagem por Rock in Rio marcada como um dos pontos altos da turnê de despedida de Elton John, resta acompanhar como serão as próximas etapas desse processo de encerramento de carreira nos palcos. Para o público brasileiro que não conseguiu ingresso ou acompanhar o show ao vivo, registros em vídeo, fotos e relatos de quem esteve na Cidade do Rock devem continuar circulando nos próximos dias, mantendo viva a repercussão de uma noite que resumiu, em poucas horas, mais de cinco décadas de carreira.

    Para o Rock in Rio, o episódio reforça também a importância estratégica de reunir, na mesma edição, nomes consagrados da música mundial e fenômenos mais recentes — uma fórmula que, edição após edição, tem ajudado a manter o festival como um dos eventos musicais mais relevantes do calendário brasileiro e um ponto de encontro entre diferentes gerações de fãs.

    Conclusão

    A apresentação de Elton John no Rock in Rio 2026 uniu dois símbolos consolidados: a carreira de um dos maiores nomes da música pop das últimas décadas e um festival que, desde 1985, ajudou a moldar a relação do público brasileiro com grandes eventos musicais. Mais do que um show, a passagem do artista pela Cidade do Rock se tornou um momento de memória coletiva, reforçando por que despedidas como essa despertam tanto interesse — e por que o Rock in Rio segue sendo, mais de quatro décadas depois de sua criação, um dos palcos mais desejados por artistas e público ao redor do mundo.