Depois de 15 anos com Tim Cook no comando, a Apple entrou oficialmente em uma nova era. No dia 1º de setembro de 2026, o engenheiro John Ternus assumiu o cargo de CEO da empresa, enquanto Cook passou a ocupar a posição de presidente executivo (Executive Chairman) do conselho. A troca, anunciada em abril, chega justamente na mesma semana em que a Apple apresentou o iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max — cuja pré-venda no Brasil começou neste sábado, dia 12 de setembro.
A coincidência de calendário transformou os últimos dias em um momento simbólico para a companhia de Cupertino: de um lado, a despedida de um executivo que multiplicou o valor de mercado da empresa; de outro, o lançamento de um smartphone que chega ao mercado brasileiro com preços mais altos e uma lista de novidades técnicas que inclui câmera de abertura variável e um novo chip fabricado em processo de 2 nanômetros.
Para quem acompanha o universo Apple — seja como consumidor, investidor ou simplesmente curioso sobre os rumos da maior fabricante de eletrônicos do mundo — entender essas duas mudanças ao mesmo tempo ajuda a enxergar para onde a empresa caminha nos próximos anos. É isso que este artigo se propõe a detalhar.

John Ternus, que passou 25 anos na Apple antes de assumir como CEO. Foto: Wikimedia Commons
Fim de uma era: os 15 anos de Tim Cook à frente da Apple
Tim Cook entrou na Apple em 1998, ainda na era Steve Jobs, e assumiu a posição de CEO em 2011. Ao longo desses 15 anos no comando, a empresa passou por uma transformação financeira histórica: segundo o próprio comunicado da Apple sobre a sucessão, o valor de mercado da companhia saltou de cerca de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões sob sua liderança — um crescimento que consolidou a Apple como uma das empresas mais valiosas do planeta.
A mudança no comando foi anunciada oficialmente em 20 de abril de 2026, com efetivação marcada para 1º de setembro. Durante o período de transição, Cook seguiu à frente da companhia, preparando a passagem de bastão. No comunicado oficial da Apple, o próprio Cook definiu o sucessor com elogios: “John Ternus tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade e honra.”
Arthur Levinson, presidente do conselho da Apple, também se manifestou sobre a saída de Cook do posto de CEO: “A liderança de Tim, sem precedentes e excepcional, transformou a Apple na melhor empresa do mundo.” Cook, agora como Executive Chairman, deve continuar envolvido em frentes estratégicas da empresa, incluindo o relacionamento com formuladores de políticas públicas — uma área que ganhou peso nos últimos anos em meio a debates regulatórios sobre grandes empresas de tecnologia.
Quem é John Ternus, o engenheiro que virou CEO
Diferente de Cook, que veio da área de operações e cadeia de suprimentos, Ternus tem uma trajetória construída dentro da engenharia de produto — o que já é lido pelo mercado como um sinal de que a Apple pretende reforçar o discurso de inovação em hardware nos próximos anos.
Nascido em maio de 1975, Ternus se formou em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia em 1997. Ainda na faculdade, desenvolveu como projeto de conclusão de curso um braço mecânico assistivo voltado a pessoas com tetraplegia — um detalhe que voltou a circular nos bastidores da empresa após o anúncio de sua promoção.
Ternus entrou na Apple em 2001, inicialmente na equipe de design de produtos, trabalhando no desenvolvimento do Apple Cinema Display. Sua ascensão interna foi constante: em 2013, tornou-se vice-presidente de engenharia de hardware, responsável por AirPods, Mac e iPad; em 2020, passou a supervisionar também a engenharia de hardware do iPhone; e, em 2021, foi promovido a vice-presidente sênior de engenharia de hardware, sucedendo Dan Riccio. Em 2022, ganhou ainda a responsabilidade sobre o hardware do Apple Watch. Ou seja: praticamente toda a linha de produtos física da Apple passou pelas mãos do novo CEO antes de ele assumir o cargo mais alto da companhia.
iPhone 18 Pro: pré-venda começa no Brasil neste sábado
Enquanto a transição de comando se consolidava, a Apple seguiu com o calendário de lançamentos já programado. O iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max foram apresentados oficialmente em 9 de setembro de 2026, e a pré-venda no mercado brasileiro começou neste sábado, dia 12. A chegada às lojas físicas está prevista para 18 de setembro.
Nos Estados Unidos, os preços de lançamento partem de US$ 1.199 para o iPhone 18 Pro e US$ 1.299 para o Pro Max. No Brasil, a expectativa do mercado é de valores bem mais altos: reportagens do setor de tecnologia apontam faixas que vão de aproximadamente R$ 12 mil a R$ 21 mil no iPhone 18 Pro, e de R$ 13 mil a R$ 22 mil no Pro Max, dependendo da versão de armazenamento escolhida — um aumento de até 18,9% em relação à geração anterior, o iPhone 17 Pro.
Ambos os modelos estão disponíveis nas configurações de 256 GB, 512 GB, 1 TB e 2 TB, e chegam nas cores Bordô (Burgundy), Glacier, Prata e Preto.

Apple Park, em Cupertino (Califórnia), sede da empresa onde os novos produtos são planejados. Foto: Wikimedia Commons
Por que os preços subiram: o fenômeno do “inflachip”
O aumento de preço não é uma decisão isolada da Apple. A indústria de tecnologia vem sendo pressionada por uma escassez global de componentes de memória, impulsionada pela explosão de demanda de data centers voltados à inteligência artificial — fenômeno que passou a ser chamado informalmente de “inflachip”. Como a memória chega a representar cerca de um terço do custo de produção de um smartphone topo de linha, esse gargalo se refletiu diretamente no preço final ao consumidor em praticamente todo o mercado, não apenas no Brasil.
O que muda de verdade no iPhone 18 Pro
Para além da variação de preço, a nova geração traz mudanças técnicas relevantes. O destaque fica por conta do chip A20 Pro, fabricado pela TSMC em processo de 2 nanômetros — uma evolução que promete ganhos de desempenho gráfico de até 40% e um Neural Engine com 32 núcleos dedicados a inteligência artificial, com 50% mais largura de banda em relação à geração anterior. Para lidar com o calor gerado por esse desempenho extra, a Apple também aumentou a câmara de vapor do aparelho, agora até três vezes maior do que nos modelos anteriores.
Câmera com abertura variável
Na fotografia, a novidade mais comentada é a câmera principal de 48 MP com abertura variável, capaz de alternar entre f/1.8 e f/4 por meio de um mecanismo com seis lâminas cortadas a laser. Na prática, isso permite que o aparelho controle fisicamente a quantidade de luz que chega ao sensor: uma abertura maior favorece fotos em ambientes com pouca iluminação, enquanto uma abertura menor aumenta a área da imagem que permanece em foco — um recurso até então mais associado a câmeras profissionais do que a smartphones.
Bateria, carregamento e tela
A autonomia também cresceu: o iPhone 18 Pro Max chega a 45 horas de reprodução de vídeo nas versões apenas com eSIM, enquanto o Pro atinge 36 horas. O carregamento por cabo permite recuperar 50% da bateria em cerca de 15 minutos, e o carregamento sem fio faz o mesmo em aproximadamente 30 minutos. Já a Dynamic Island ficou cerca de 25% mais estreita, com a Apple reorganizando os componentes do Face ID para liberar espaço na parte frontal da tela, que mantém os tamanhos de 6,3 polegadas no Pro e 6,9 polegadas no Pro Max, agora com uma nova geração de painel LTPO OLED.

Tim Cook, que liderou a Apple por 15 anos e agora ocupa o cargo de Executive Chairman. Foto: Wikimedia Commons
O que esperar da Apple na era Ternus
Com um engenheiro de hardware no comando pela primeira vez desde os tempos de Steve Jobs, o mercado observa com atenção se a Apple vai acelerar o ritmo de lançamentos ou repensar categorias inteiras de produto. A escolha de Ternus — que passou por praticamente todas as linhas físicas da empresa, do Mac ao Apple Watch, passando pelo iPhone — é vista por analistas do setor como um indício de que a companhia aposta em reforçar sua identidade como fabricante de hardware inovador, justamente no momento em que rivais como Google e Samsung têm investido pesado em inteligência artificial integrada aos aparelhos.
Para o consumidor brasileiro, o momento é de decisão: encarar o preço mais alto do iPhone 18 Pro logo na largada da pré-venda, ou esperar por uma possível estabilização de valores à medida que a crise de componentes de memória for absorvida pela cadeia produtiva global. De qualquer forma, a semana marcou um ponto de virada duplo para a Apple — na liderança executiva e na vitrine de produtos — e os próximos meses devem mostrar como as duas mudanças vão se refletir nos planos da empresa para 2027.
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