Baku, na Azerbaijão, virou o centro das atenções do automobilismo mundial neste fim de semana. O circuito urbano de Baku recebeu mais uma edição do Grande Prêmio do Azerbaijão de Fórmula 1, a 15ª etapa da temporada 2026, com direito a pole position dominante de George Russell, um acidente que tirou o líder do campeonato da briga por posições de honra no sábado, e um fim de semana difícil para o único brasileiro na categoria, Gabriel Bortoleto.
A corrida deste sábado, 26 de setembro, acontece num dos traçados mais peculiares do calendário: uma pista de rua encravada entre a Cidade Velha de Baku, repleta de monumentos históricos, e uma reta gigantesca à beira do Mar Cáspio, onde os carros da F1 chegam a superar os 350 km/h. É esse contraste entre ruas estreitas e velocidade extrema que faz do GP do Azerbaijão um dos mais imprevisíveis do ano — e também um dos favoritos dos brasileiros que acompanham a Fórmula 1, tanto pelo espetáculo quanto pela torcida por Bortoleto, hoje o único representante do país no grid.
Neste artigo, você entende como foi a classificação, o que aconteceu com o carro do líder do campeonato, por que Bortoleto larga apenas em 17º e o que está em jogo no domingo (ou sábado, dependendo do fuso, já que este ano o calendário da F1 trouxe mudanças pontuais de datas) para o título de pilotos e construtores.

Vista aérea de Baku, capital do Azerbaijão, cidade que combina arquitetura histórica e moderna ao redor do Mar Cáspio. Foto: Wikimedia Commons
O circuito mais rápido do calendário: conhecendo as ruas de Baku
O Circuito Urbano de Baku (Baku City Circuit) estreou no calendário da Fórmula 1 em 2016, ainda batizado de Grande Prêmio da Europa, e desde 2017 dá nome ao Grande Prêmio do Azerbaijão. Projetado pelo renomado arquiteto de pistas Hermann Tilke, o traçado tem 6,003 km de extensão e 20 curvas, sendo um dos mais longos do calendário atual.
O que torna Baku único é a combinação de extremos: de um lado, uma passagem estreitíssima de apenas 7,6 metros de largura ao lado do Palácio dos Shirvanshahs e da Torre da Donzela, no coração da Cidade Velha; do outro, uma reta de 2,2 km ao longo da Avenida Neftchilar, à beira-mar, onde os monopostos atingem velocidades próximas de 360 km/h. Não à toa, o traçado costuma ser descrito como “o circuito de rua mais rápido do mundo”.
Essa mistura de muros próximos, curvas cegas e retas gigantescas historicamente produz corridas caóticas, com safety cars, batidas e reviravoltas — e neste ano não foi diferente já na fase de classificação.
Classificação de sábado: Russell crava a pole, Antonelli sofre acidente
Quem vinha embalado na briga pelo título viu o sábado em Baku de um jeito completamente diferente. George Russell, da Mercedes, cravou a pole position com o tempo de 1min42s526, à frente de Charles Leclerc (Ferrari), com 1min43s363, e Oscar Piastri (McLaren), com 1min43s364 — uma diferença mínima entre o segundo e o terceiro colocados, mas uma vantagem sólida de Russell na ponta.
O fato mais marcante da sessão, porém, envolveu justamente o líder do campeonato. Kimi Antonelli, companheiro de Russell na Mercedes e ponteiro isolado da classificação de pilotos, bateu ainda na primeira parte da classificação (Q1). Com um pneu dianteiro esquerdo furado após o acidente, a equipe orientou o jovem piloto a parar o carro na pista pelo rádio, encerrando sua participação na luta por um bom grid de largada já na primeira etapa da sessão.
A classificação também foi marcada por uma interrupção causada por fortes ventos que espalharam detritos pela pista, obrigando a organização a pausar a sessão para limpeza antes da retomada.

George Russell, da Mercedes, autor da pole position no GP do Azerbaijão 2026. Foto: Wikimedia Commons
Como está o campeonato de pilotos e construtores em 2026
Apesar do tropeço no sábado, Kimi Antonelli chega a Baku como líder folgado do campeonato de pilotos, com 292 pontos somados ao longo da temporada. Russell aparece logo atrás, com 211 pontos, seguido por Lewis Hamilton, da Ferrari, com 191. Completam o top 6 Lando Norris (McLaren), com 186 pontos, Charles Leclerc (Ferrari), com 167, e Max Verstappen (Red Bull), com 145.
A distância entre o primeiro e o segundo colocado — 81 pontos antes da corrida deste sábado — já era considerada praticamente uma vantagem “confortável” pelos comentaristas especializados, mesmo restando ainda um número relevante de etapas na temporada. No campeonato de construtores, a Mercedes também dispara na liderança, com 503 pontos, folga de 145 pontos sobre a Ferrari (358). McLaren aparece em terceiro, com 306 pontos, seguida por Red Bull (230) e Racing Bulls (77).
Ou seja: mesmo com o incidente de Antonelli na classificação, a Mercedes segue sendo, disparado, a equipe a ser batida em 2026 — e um resultado ruim do próprio Antonelli na corrida de domingo pode, na prática, favorecer o companheiro de equipe Russell na briga direta pelo título.
O momento de Gabriel Bortoleto: o desafio da Audi em Baku
Para o torcedor brasileiro, a notícia da classificação foi mais amarga. Gabriel Bortoleto, hoje o único brasileiro na Fórmula 1, não conseguiu avançar à segunda parte da classificação e larga apenas em 17º lugar neste sábado, com o tempo de 1min45s799.
O início da volta de Bortoleto chegou a ser promissor: em determinado momento da Q1, ele chegou a marcar a segunda posição provisória, com 1min46s124. A situação, no entanto, mudou ao longo da sessão, à medida que outros pilotos melhoraram seus tempos. No momento decisivo, o brasileiro ainda enfrentou uma bandeira amarela provocada por um toque do canadense Lance Stroll, o que o impediu de tentar uma volta final mais rápida para escapar da eliminação.
Em declarações após a sessão, Bortoleto admitiu frustração com o resultado, reconhecendo o desafio de reverter a situação já a partir de uma posição de largada distante do pelotão de ponta. O resultado reforça uma temporada irregular para a dupla da Audi (a antiga Sauber, que corre sob a nova marca alemã), equipe que segue em processo de reconstrução dentro do grid da Fórmula 1.

Gabriel Bortoleto, piloto brasileiro que compete pela Audi/Sauber na temporada 2026 da Fórmula 1. Foto: Wikimedia Commons
O que esperar da corrida em Baku
Largar em 17º em Baku não é, necessariamente, uma sentença. A história recente do circuito mostra que ultrapassagens são possíveis ao longo da longa reta à beira-mar, e que safety cars e acidentes tendem a embaralhar o pelotão — o que pode tanto beneficiar quanto prejudicar quem sai de trás. Para Bortoleto, a missão passa por conseguir um bom início de prova e aproveitar eventuais oportunidades criadas por incidentes à frente.
Já na ponta, a expectativa é de que Russell tente transformar a pole em vitória, ampliando sua pontuação na briga pelo vice-campeonato e, na prática, ajudando a reduzir a distância para o companheiro Antonelli — que larga de trás após o acidente na classificação e precisará remontar posições ao longo da corrida.
Vale lembrar que o traçado de rua de Baku é conhecido por ser implacável com qualquer deslize: os muros ficam próximos da pista praticamente do início ao fim do percurso, e um pequeno erro pode significar o fim da prova. Isso torna a corrida, historicamente, uma das mais imprevisíveis da temporada — o que aumenta ainda mais a expectativa para o resultado final.

Largada de corrida no Circuito Urbano de Baku, palco do Grande Prêmio do Azerbaijão. Foto: Wikimedia Commons
Por que o GP do Azerbaijão importa para o público brasileiro
Mesmo sem um brasileiro na briga pela vitória, o interesse do público nacional pela Fórmula 1 segue em alta, impulsionado pela audiência crescente da categoria no Brasil nos últimos anos e pela presença de Bortoleto no grid — o primeiro piloto brasileiro a competir de forma efetiva na F1 desde a saída de Felipe Massa. Cada corrida da temporada carrega, portanto, um significado especial para os fãs brasileiros, que acompanham de perto cada evolução (ou dificuldade) do compatriota dentro de uma categoria extremamente competitiva e tecnicamente exigente.
Além disso, o calendário da Fórmula 1 em 2026 segue sendo um dos mais assistidos do mundo, com etapas espalhadas por diferentes continentes e um nível de disputa acirrado tanto entre pilotos quanto entre equipes. Corridas como a de Baku, com histórico de reviravoltas, tendem a reforçar esse interesse, já que colocam em xeque até mesmo as previsões mais confiantes sobre quem deve vencer.
Conclusão
O GP do Azerbaijão 2026 já entrega, antes mesmo da largada da corrida, boa parte do drama que costuma marcar as etapas em Baku: uma pole surpreendente de George Russell, o acidente que tirou o líder do campeonato da primeira fila e a dura realidade enfrentada por Gabriel Bortoleto, que precisará de uma corrida quase perfeita para sair do meio do pelotão. Com Antonelli ainda folgado na liderança do campeonato mas fragilizado pelo resultado da classificação, e com Russell mirando reduzir distância, a corrida deste sábado promete ser decisiva para os rumos da temporada — e mais um capítulo na trajetória do único representante brasileiro na categoria mais rápida do automobilismo mundial.
Deixe um comentário